Um remédio para muitas questões

Ao praticar o silêncio, você consegue por os pensamentos de lado e desta forma você consegue abrir a porta para seu interior, consegue mover-se para dentro de si e encontrar sua própria inspiração.

 

Apenas concentre-se em praticar a mindfulness. Esqueça por um momento seus problemas e concentre-se em ficar um momento em silêncio. Quando mais fundo você for, mas a verdade surgira e o que não é verdade, cairá.

Se você conseguir escutar estas palavras, tudo pode ganhar um novo sentido. A Maioria de nós pode ouvir, mas poucos consegue escutar de verdade. Ouvir é um fenômeno físico que pode ser compensado inclusive por equipamentos eletrônicos quando você esta perdendo um pouco desta capacidade. Ouvir é relativamente simples e quem tem ouvidos tem a capacidade de ouvir, mas escutar é completamente diferente. Você pode ouvir uma pessoa falando, mas será que você está realmente escutando ela?

Escutar significa que quando você está ouvindo você está apenas ouvindo e nada mais. Não há outros pensamentos ou julgamentos em sua mente. O que quer que esteja sendo ouvido pode alcançar diretamente sua mente. Não sofre interferência por sua interpretação ou preconceitos. Não é distorcido pelo que acontece dentro de você enquanto alguém fala algo. Perceba que é diferente ouvir a mesma coisa quando você está com muita raiva de que quando você está calmo. Dependendo de seu estado interior, você está ouvindo tudo de forma distorcida ao invés de estar apenas escutando diretamente o que está acontecendo.

Perceba que normalmente enquanto ouve algo, sua cabeça está preenchida por outros pensamentos. Não são apenas pensamentos, mas um estilo mental. Sempre estamos tentando buscar uma resposta a situação. Muitas vezes antes de alguém terminar uma frase, na sua mente, você já tem uma resposta para dar a pessoa, mesmo que ela ainda não tenha se expressado totalmente. Focamos nossa atenção em termos a resposta ao invés de escutar e realmente viver a experiência.

Semelhantemente você pode aprender algo sem expectativa, apenas focado na experiência, sem projetar na experiência qualquer esperança ou receio. Assim você amplia sua capacidade de aprender e depois pode escolher como deseja usar esta capacidade que adquiriu. Você pode usar uma bicicleta para ir ao trabalho, para passear com os amigos ou até tornar-se um atleta. Mas a capacidade básica de se manter na sela é igual para todos. Então mesmo que alguém nos ensine a andar de bicicleta, nós decidimos o que andar de bicicleta significa para nós, como usar e o que serve melhor para nosso estilo de vida.

A ciência já comprovou que o que fazemos com a mente, interfere diretamente em nosso corpo. Atualmente muitos neurocientistas se dedicam ao estudo da conexão mente e corpo, para conhecer suas correlação e efeitos mais profundos. Já sabemos que a prática de mindfulness, mesmo em quem nunca teve experiências anterior com meditação, provoca mudanças biológicas em todo nosso corpo físico. Um programa de 8 semanas também pode provocar mudanças bastante significativa nos padrões de ativação e na estrutura física do cérebro.

É muito importante ressaltar que da mesma forma que você não pode matar sua fome apenas lendo uma receita ou um cardápio em um restaurante, semelhante a isto, você não poder ter qualquer dos benefícios sem praticar. Para matar a fome é preciso comer, para experenciar os benefícios é preciso praticar. Da mesma forma que uma atividade física pode fortalecer nosso corpo e trazer mudanças físicas para o mesmo, a prática de mindfulness pode mudar seus hábitos, pensamentos, seu cérebro e até mesmo os cromossomo e as células em seu corpo.

Unificando o corpo e a mente

Agora vamos entender porque é importante unificar o corpo e a mente.

 

Quando o corpo e a mente se tornam um, podemos estar presentes no lar do aqui e agora, de corpo e alma para o que estiver acontecendo conosco e com o mundo a nossa volta. Ao ver o mundo no momento presente, como ele realmente é, sem estarmos projetando o passado ou com medo do futuro, começamos a gerar a energia da paz, alegria e felicidade momento a momento. Apensa conectados com o nosso corpo, podemos senti-lo, reconhece-lo e cuidar dele. Tomar um tempo para reconectar com nosso corpo é uma prática muito poderosa que nos permite sentir como estamos no momento presente. Normalmente só percebemos algumas dores quando as mesmas se tornam crônicas e as vezes já é tarde de mais para reverter a mesma por métodos simples.

Sentir o nosso corpo e perceber os nossos sentimentos do momento presente, é algo profundo e libertador. Esta simples prática pode nos ajudar a perceber que estamos tomando decisões com raiva do passado ou com medo da incerteza do futuro. Estando presente podemos nos libertar da prisão destes sentimentos e pensamentos destruidores, podemos alcançar uma liberdade mais profunda que nos permite ter mais possibilidades sobre as escolhas que precisamos fazer.

As vezes é possível, em apenas algumas poucas respirações ou em curto período de silêncio, acalmar nossos pensamentos e sentimentos para analisar a situação como ela verdadeiramente é naquele momento. Quando você consegue acalmar a mente, você consegue ver as maravilhas da vida ao seu redor. Pense como é bom contemplar uma linda lua ou o nascer do sol, olhar para um lindo pássaro ou ouvir o barulho de um rio, olhar para as estrelas. Com a mente agitada ou distraída perceber estas coisas é uma tarefa quase impossível. Estas maravilhas só se tornam disponíveis quando você unifica corpo e mente e se estabelece no momento presente.

A maioria das pessoas “comuns” ao acordar já tem muitos compromissos a cumprir. Já se conecta com o celular, redes sociais e e-mail, muitas vezes antes de sair da própria cama. Em poucos minutos “acordado” já está pensando em várias possibilidades do dia, com quem vai se reunir, as obrigações que tem que fazer e os problemas que precisa resolver. Dentro deste contexto dificilmente ela consegue um tempo para ela. Uma das sugestões para o sucesso na prática de mindfulness é que você possa ter um espaço na sua agenda para se comprometer com você. Se você não tem um espaço para você mesmo, quem vai ter? Ao invés de desejar que alguém cuide de você, que tal fazer sua parte e também cuidar de você mesmo?

Algumas pessoas se preocupam com o corpo físico e praticam atividades físicas ou vão para academia, mas a maioria não se preocupa com seu estado emocional ou com seus pensamentos e só procuram ajuda de um profissional quando as coisas já passaram do limite e provavelmente a depressão já está em um grau muito crítico. Muitos apenas dão atenção para sua mente, quando o estado é alarmante ou crônico. Praticar a meditação é uma forma de dar manutenção em nosso estado mental, é cultivar a paz mental é um exercício que nos proporcionar alegria e felicidade sem causa. É uma forma de termos um tempo para estarmos com nós mesmos e cuidarmos de nós mesmos, uma forma de nos ouvirmos profundamente e conhecermos para onde nossos pensamentos nos levam. Se tivéssemos um balão feito os das revistinhas em nossas cabeças e todos pudessem ver nossos pensamentos, talvez nós teríamos mais cuidado com o que pensamos. E ao invés de nos preocuparmos apenas com o corpo, poderíamos compreender que corpo e mente são apenas um e precisam estar alinhados como um conjunto que não pode viver separados. Uma mente sem um corpo não faz muito sentido, da mesma forma que um corpo sem uma mente saudável, não está completo.

Por que você não consegue meditar?

Vamos ver um comportamento muito importante que nos explica porque muitas pessoas não conseguem meditar.

Este comportamento é: Lembrar e esquecer!

Começamos a meditar com foco em acompanharmos nossa respiração, mas normalmente e principalmente no início, nos perdemos pelo meio do caminho.

É muito comum acontecer isso com todos e em muitos contextos. Não apenas com o da meditação, mas de forma geral, nos distraímos e perdemos o foco do que desejamos fazer. Existem 3 coisas básicas que queria compartilhar com vocês relacionado a isso: É a Intenção, Atenção e Atitude.

Vamos lá:

Recebemos uma instrução, por exemplo: acompanhe a respiração.

E a maioria das pessoas, se tiverem realmente interessados nisso, vão tentar fazer isso “direito”!

É muito natural acharmos que existem maneiras certas e erradas de fazer as coisas. Assim sendo, ao receber uma instrução, como acompanhe a respiração, é natural achar que existe uma maneira certa de fazer isso.  Se você conseguir acompanhar a respiração, você está fazendo certo e sempre que divagar ou desconcentrar, você está fazendo errado. Compreende isso? Normalmente não nos sentimos assim?

Ok, isso é normal. Muitos passam por isso em muitas áreas diferentes. O que acontece com quase todas as pessoas quando elas se envolvem em algo é que a atenção se perde em uma jornada própria.

1 passo: Você se esquece e se lembrar de sua intenção!

Você decide acompanhar sua respiração por apenas 5 minutos e logo se esquece de fazer isso. Você se afasta desta intensão e começa a usar a oportunidade de alguns momentos tranquilos para planejar um pouco. Você aproveita para rever sua lista de coisas para fazer e aproveita para ensaiar, mentalmente, tudo o que precisa executar hoje ou amanha, ou até no próximo mês. Você se perde nisso por alguns momentos e depois se lembra que pretendia meditar. Então põe a lista de lado e volta para a respiração.

Um pouco depois, você se esquece desta intensão novamente e começa a ter um pequeno sonho. “ummmm… se eu ganhar na loteria… se seu ganhasse na loteria…. Como gastaria meu dinheiro?”. Você sonha por algum tempo e depois de algum tempo lembra da intensão, para de sonhar e retorna a ela.

Em seguida você pode esquecer mais uma vez sua intensão e começa a cochilar. Você se acomoda no cochilo e permanece assim por alguns instantes, depois volta a se lembrar da sua intensão, se endireita e retorna a meditação.

Você se esquece, repetidamente, da sua intensão de meditar.

2 passo: Você se esquece e se lembra de prestar atenção!

Você decide prestar atenção em sua respiração, mas logo depois outra coisa acontece e desvia seu foco. Talvez um ruído externo ao local que você está meditando. Isso capta a sua atenção, e você começa a se perguntar o que terá causado o ruído. O que ele significa? Etc…

Talvez passe um caminho do corpo de bombeiro e você começa a se perguntar onde é o incêndio. Até que você lembra de prestar atenção a sua respiração e coloca a atenção de volta.

Pode surgir uma dor ou desconforto na sua postura e mais uma vez você esquece da respiração e sua atenção se concentra na dor. Talvez você se pergunte: por que minhas costas estão doendo? Será que foi porque carreguei aquele peso ontem? Ou foi porque dormi de mal jeito? Então você se lembra da sua respiração e traz a atenção de volta.

Você se esquece e se lembra de prestar atenção a sua respiração repetidamente.

3 passo: Você se esquece e se lembra da atitude!

Você começa com a intenção de levar sua atenção para respiração com uma atitude amável e curiosa. No entanto logo se esquece desta atitude.

Sua mente não para de divagar e você começa a ficar irritado consigo mesmo. Começa a reclamar dos barulhos lá fora, começar a falar que é impossível meditar ou fazer qualquer coisa em silêncio. Você fica indignado com você mesmo por não estar conseguindo e se lembra da atitude de suavidade, amabilidade, curiosidade e aceitação. A tensão diminui e você começa a se acostumar com alguns barulhos e incômodos. Pouco depois surge alguma outra coisa ou até mesmo se você estiver ouvindo uma meditação guiada começa a te incomodar. Seja as instruções ou tom de voz do instrutor e você mais uma vez ficar irritado ou desconcentrado. Mas então se lembra da atitude amável e abandona a irritação para se acomodar na meditação.

Repetidamente você se esquece e se lembra da atitude que está procurando trazer para a meditação.

Concordam comigo que é mais ou menos assim quando desejamos fazer algo e nos dispersamos?

Eis o que é formidável e um grande milagre. Toda vez que você esquece, é uma oportunidade para se lembrar.

Cada vez que você se lembra é como se você estivesse fazendo pequenos ajustes nas vias neurais conectadas com a intensão prolongada. Atenção prolongada é uma atitude de gentileza e curiosidade.

Isso é o que pode ser chamado de neuroplasticidade. O segredo da neuroplasticidade é a repetição do comportamento ao longo do tempo. Se você fizer uma coisa uma única vez, isso pode não ter muito impacto no cérebro, mas se você fizer milhares de vezes, você começará a reestruturar seu cérebro.

A maioria das pessoas que realizam um programa de 8 semanas de mindfulness e cumprem os requisitos das práticas sugeridas, ou seja, realizam as atividades propostas, pegará sua mente divagando milhares de vezes. Isso significa milhares de oportunidade para se lembrar da intenção de prestar atenção com uma atitude de curiosidade delicada e amável.

Algumas pessoas dizem com frequência que não conseguem meditar que já tentaram e não tiveram sucesso. Que não conseguem parar seus pensamentos ou se concentrar na respiração ou qualquer outra coisa. Espero que, agora, você entenda que a questão é apenas notar e focar, notar e focar, repetidamente. Cada esquecimento é uma nova oportunidade de treinar e focar.

Ao fazer estes exercícios repetidamente, gradualmente você desenvolve músculos mental e emocional. Cada vez que você realiza estes exercícios você cultiva a atenção plena e outras qualidades da consciência.

O Processo envolve mais conscientização dos pensamentos do que a interrupção deles. Quanto mais você estiver consciente do que se passa na sua mente a cada momento, mais consciente de seus pensamentos, sentimentos, sensações e impulsos, gradualmente mais oportunidade de escolhas você vai ter com relação a eles. Não se trata de parar os pensamentos, o foco é deixa-los passar e apenas observar como nuvens no céu.