O que é Meditação

Como você já sabe, entender sobre meditação será bem diferente do dia em que você experenciar uma meditação. Para cada pessoa, cada meditação, trará momentos diferentes. Espero que as próximas palavras sejam um incentivo para você encontrar suas próprias definições sobre meditação.

É mais importante você experimentar do que simplesmente entender. Entender não trará nenhum benefício para você. Vamos lá então.

O modo natural de meditar tem pouco a ver com técnicas. Começa simplesmente com o seu interesse pela vida. Normalmente medimos nossa idade a partir do momento em que nascemos. As vezes, percebemos que as pessoas mais velhas têm mais sabedoria e conhecimento por terem maior experiência de vida. O Material de nosso corpo nasceu a mais de 15 bilhões de anos. Talvez haja alguma sabedoria aí! Pense na formação desses átomos, criados em um sistema solar completo que levou milhões de anos de modelagem inteligente para construir este corpo. É uma história maravilhosa e no mínimo curiosa. Entenda que o feto não segue uma técnica para crescer é algo natural.

Muitas pessoas passam a vida buscando por respostas e muitas delas querem respostas em palavras, mas nem tudo pode ou precisa ser compreendido com palavras. Estamos muitos ocupados em o que precisamos fazer para ter sucesso ao invés de nos concentrarmos em saber quem somos ou simplesmente experenciarmos o que somos.

A meditação redesperta o questionamento sobre a totalidade do ser não serve apenas para resolver problemas, aliviar o estresse ou nos dar mais controle sobre nossa vida. Meditamos para despertarmos para a história universal e multidimensional daquilo que somos. Esse é o verdadeiro caminho para saúde. A meditação pede uma percepção similar a de um cientista, de alguém que procura a verdade, explorando o laboratório da experiência de estar vivo e acordado.

Muitas vezes as pessoas meditam como se estivessem cumprindo uma penitência. O exercício todo é uma luta enorme que esperam que seja boa para ela. Imaginam que, se continuarem fazendo esse esforço em suas práticas, se conseguirem ao menos se livrar de suas várias distrações, finalmente a luz surgirá e pronto: Será o fim de sus problemas. Ter esta atitude ao meditar não nos deixa entrar em contato com as qualidades essenciais que nos alimentam, o sentido de amplitude e o envolvimento constante com o crescimento e com as descobertas.

A meditação não deveria ser vista como uma coisa fragmentada ou pontual, ela deve ser contínua. Você senta para meditar e logo em seguida larga a meditação, faz uma oração e em seguida larga esta mesma oração, ou pratica Yoga e logo depois também abandona esta prática. Assim que sua prática acaba, você entra de volta neste mundo não meditativo, inconsciente, como se caminhasse em um sono hipnótico. Um esforço de uma não vai ter grandes efeitos nas outras 23 horas do dia adormecidas.

A consciência é como um rio, ela flui constantemente e estar consciente por uma hora e ficar 23 horas desconectado de sua consciência não parece ser o caminho para um florescimento de consciência.

Muitas pessoas almejam alcançar um estado de completude. A verdadeira satisfação está registrada nas células e líquidos do corpo. Você se sente satisfeito, realizado, quando você se sente completamente vivo, quando o momento presente está fluindo harmoniosamente em abundancia.

Estamos tão ocupados com lugares para ir, gente para ver, coisas para fazer, com tantos medos, com tantas expectativas, com tantas obrigações que não conseguimos estar plenos.

Quando a morte se aproxima normalmente surge um alerta: “O que eu estive fazendo? O que fiz com minha vida? E as vezes você percebe que perdeu muitas oportunidades. Que na verdade você não parou para refletir sobre o que estava fazendo. Entrar no modo fazer, e tentar apenas fazer ou conquistar tudo, pode nos distrair e não percebemos que estamos perdendo energia, que podemos estar desperdiçando esta vida. Que ela escorreu pelo ralo. Você só tem uma vida e se você não tiver consciência sobre o que esta fazendo, você vai chamar qualquer coisa de destino. Meditar é abrir espaço para o florescimento da consciência. Não sabermos quando a consciência vai brotar em sua plenitude, podemos diariamente cultivar e nos dedicarmos a estas práticas de mindfulness que nos ajudam a despertar de algumas grandes ilusões que estamos presos e não percebemos.

A vida não existe apenas para ser transcorrida, ela nos da a possibilidade de alcançarmos algo mais profundo. Da mesma forma que quando sonhamos um sonho muito real, só percebemos que era uma ilusão quando acordamos pela manhã, assim também é a nossa vida. Só conseguimos perceber as ilusões da vida, no momento em que despertamos a consciencia e a meditação é um caminho para este despertar.

Meditação é presença. Meditação e quando a mente tagarela se aquieta e o ser que é a vida que nos habita se manifesta. Meditação é o momento em que o ser que te habita se manifesta. A mente compulsiva é a fonte do estresse e consequentemente de muitas doenças e de muitas dificuldades que a gente enfrenta na vida.

A meditação é um poder que podemos comparar com um veículo. Que pode estar sendo conduzido por impulsos inconscientes e destrutivos como vinganças, medo, inveja, ciúmes, etc, como pode estar sendo conduzido por uma parte construtiva, amorosa, que confia e assim por diante. Podemos ter um veículo descontrolado e desgovernado e podemos ter um veículo controlado, indo em uma certa direção ou parado.

O primeiro passo é ocupar o veículo. É você está ali presente. Isso se assemelha a você entrar numa autoescola, você precisa sentar no carro, pegar o volante com suas mãos, esta a fase zero do processo. É iniciar o cultivo do silêncio. É o principio. Apenas um instante em silêncio com apenas um minuto já estamos prontos para começar a se desligar do mundo lá de fora e nos conectarmos com o mundo de dentro de nós mesmos. Desligar o celular, desligar o computador, esquecer tudo, alinhar o corpo e fechar os olhos. Porque os olhos são as janelas da mente e eles te conectam com o mundo lá fora. Com os olhos fechados, você vai colocar a atenção no fluxo da respiração com a coluna alinhada. A postura é importante… é uma postura ereta, mas sem rigidez. É uma postura confortável poderem estável. Que você possa permanecer pelo tempo sugerido sem se mexer ou mexendo o mínimo possível. A coluna deve permanecer ereta, pois existe um fluxo de energia muito grande passando pela coluna… em nossa coluna temos o sistema nervoso, central, que está conectado com o sistema endócrino, com todos os órgãos do corpo, é um fluxo de energia muito grande que precisa estar livre. Desta forma, você apenas respira pelas narinas de forma profunda e suave pelas narinas.

A grande maioria da humanidade, mais de 90%, vive sobre a tirania do fluxo temporal da mente. Neste tempo psicológico onde você é jogado no passado ou no futuro, do passado para o futuro, do futuro para o passado e o presente fica completamente perdido. Que é onde está a possibilidade de você transcender o sofrimento, transcender o medo, o ódio, é onde você pode transcender todas as emoções negativas que te faz refém. A mente serena é a fonte da tranquilidade. Tudo aquilo que é belo e verdadeiro nasce do silêncio.

Tem uma definição de Sri Prem Baba, que eu particularmente gosto muito:

“A meditação envolve diversos estágios ou estados de consciência. Às vezes, você tem acesso a lugares de dor onde entra em contato com sentimentos difíceis, como medo, raiva e insegurança. São infernos internos que precisam ser atravessados, pois ali tem algum aprendizado para você. Às vezes, você entra em uma zona neutra, na qual não sente raiva nem medo, mas também não sente amor – você não sente nada. E, às vezes, você vai para o céu e experimenta um amor infinito; uma alegria sem causa; paz e unidade. Você expande e contrai até que, em algum momento, aprende a sustentar o coração aberto e a comunhão com o Divino.”

O que são os pensamentos

Inicialmente é importante compreender que meditação não tem haver diretamente com parar os pensamentos ou ter a mente vazia e tranquila. A ideia não é fugir para o topo de uma montanha nos Himalaias ou criar uma bolha de silêncio para viver sem pensamentos ou sentimentos.

Não devemos travar uma luta com os pensamentos e tentar para-los no momento em que aflorem a mente. O caminho não é ficar em alerta esperando que um próximo pensamento surja para você tentar extingui-lo. Este esforço pesado e leva ao caminho contrário da meditação.

Vamos ver um exemplo que ilustra bem isto.

A estrada

Imagine que você está sentado ao lado de uma estrada com uma venda nos olhos. Talvez você possa ouvir o barulho dos carros passando, mas não possa vê-los porque existe uma venda em seus olhos.

Antes de começar a meditar as coisas são mais ou menos assim. Todos os pensamentos da mente, esteja você sentado ou deitado para relaxar, continuam fazendo barulho de fundo o tempo todo.

Imagine agora que ainda na beira da estrava tira a venda. Pela primeira vez você pode observar a estrada, que representa sua mente. As vezes você pode se sentir atraído pelo barulho dos carros, pela cor, modelo tamanho, ou movimento dos mesmos. Ao se deparar com algo novo, muitas coisas podem chamar sua atenção.

Quando as pessoas começam a meditar, muitas vezes percebem a grande quantidade de pensamento e agitação e chegam a culpar a meditação por isso, como se a meditação piorou ou aumentou a quantidade de pensamentos e barulhos internos.

A meditação não pode te fazer pensar mais. Ela simplesmente coloca mais luz na sua mente e possibilita você ver mais claramente tudo que se passa na mente.

Este é um sentimento bastante comum. É como eixar entrar luz em algum lugar escuro e falar que a bagunça foi causada pela luz que entrou. Da mesma forma que a luz apenas iluminou a bagunça que estava ali, a meditação ajuda a iluminar o que acontece na sua mente.

A principio é assim que a mente reage quando começamos a meditar e tomar consciência do que se passa na nossa mente constantemente. Muitas pessoas tentam se distrair com outra coisa ou parar o pensamento a força, mas estas técnicas não resolvem o problema. Entrar na estrada e tentar organizar o transito ou parar os carros, pode ser bastante perigoso.

Uma boa ideia é permanecer sentado na beira da estrada apenas permanecendo onde estais. Apenas observando. Taz seja hora de pico e tenha muito movimento, talvez seja de madrugada e tenha menos movimento. O mais importante é acostumar a ficar na beira da estrava vendo os carros passarem.

Apensa se tornando um observador, podes se afastar dos pensamentos / carros, e apenas contemplar o transito passar. Pode ser que em algum momento você sem querer se veja correndo atrás de um carro bonito. É exatamente isso que acontece quando experimentas um pensamento agradável. Você se sente atraído por ele e acaba perseguindo ele. No momento em que percebe que você está correndo atrás do carro, tens a oportunidade de voltar a sentar na beira da estrada e apenas observar.

Também pode acontecer de ser atraído por um carro velho e entrar na estrada para retirar ele. Este pode ser um pensamento desagradável. E mais uma vez tens a oportunidade de voltar a sentar-se na beira da estrada.

Com o passar do tempo e treinamento, será mais fácil ficar na beira da estrada, sem se envolver com os carros que passam. Este é o processo da meditação.

É importante destacar que não há nada de errado com os pensamentos. Os pensamentos fazem parte de uma incrível capacidade humana. Se desejas pensar sobre algo, podes refletir sobre isso, podes recordar ou planejar sobre isso e está tudo certo é perfeito quando nós escolhemos deliberadamente pensar sobre algo que desejamos. Quando falamos dos carros, estamos nos referindo de pensamentos autônomos que simplesmente aprecem na sua mente sem que tenha sido você a focar nisso. Eles aparecem num momento e começam a se auto alimentar gerando mais e mais pensamentos normalmente inúteis.

Existe a possibilidade de termos insights ou pensamentos criativos, sem estarmos intencionados a isto. No entanto estes pensamentos nascem no momento em que temos um espaço livre na mente. Se estamos tão ocupados com os pensamentos inúteis e autônomos, não haverá espaço para pensamentos criativos ou novas ideias. Por isso ao treinar a mente e apenas observar os pensamentos sem se identificar com eles, é uma forma de permitir que pensamentos criativos surjam em nossa mente. Grandes ideias muitas vezes surgem quando deixamos o problema de lado e estamos relaxados ou fazendo outras coisas desassociadas do problema que queremos resolver e normalmente não conseguimos resolver batendo a cabeça na parede.

Estamos com a mente tão ocupada que perdemos a chave do carro em cima da mesa da sala e não conseguimos ver ela mesmo quando a mesma está bem na nossa frente. É preciso relaxar e perceber que as chaves estavam ali, bem na nossa frente o tempo todo. Assim são pessoas que procuram óculos pendurados na cabeça ou na blusa, ou até mesmo com ele no rosto. Simplesmente ela está cheia de mais para observar e perceber a realidade.

Um outro exemplo seria:

O céu azul

Imagine um lindo céu azul completamente limpo… apenas azul… é algo agradável, claro e radiante… Nossa mente é assim… Em sua natureza a mente é limpa e calma igual a este céu azul.

Sem se importar se é assim que você se sente agora, pois talvez sua mente esteja ceias de pensamentos e muito confusa, apenas por um momento tente lembrar de algum momento em que você esteve relaxado e feliz. Algum momento em que você não estava tão preocupado com problemas do passado ou medo do futuro, algum momento em que você apenas estava lá tranquilo. Como você se sente?

Agora imagina que você está diante de um céu que não tem nada de azul, apenas um dia muito nublado com muitas nuvens grandes e escuras. Como você se sente? Não muito bem certo?

Imagine agora que estas nuvens escuras são pensamentos na sua mente. As vezes podem até ser nuvens brancas e fofinhas, mas as vezes são pesadas e escuras. Clara ou escura, são apenas sentimentos que você sente no momento.

Lembre-se que apenas de ter nuvens muito escuras, por trás delas ainda existe o céu azul. O céu permanece lá o tempo todo ela está além dos pensamentos.

Não estamos mais vivendo no mundo, estamos vivendo em nossa cabeça

Ao praticar o silêncio, você consegue por os pensamentos de lado e desta forma você consegue abrir a porta para seu interior, consegue mover-se para dentro de si e encontrar sua própria inspiração.

Quando não estamos apenas pensando, e sim perdidos no pensamento, nós ultrapassamos o ponto de virada: não estamos mais vivendo no mundo, estamos vivendo em nossa cabeça. A mente quer entender, quer uma resposta racional para tudo, porém algumas respostas não podem ser obtidas pela mente. Podemos estudar as teorias do amor, mas só sabemos o que é o amor quando sentimos o amor. O conhecimento é o mapa. A experiência é o território real.

Quando estamos dispersos, estamos em outro lugar que pode ser bem longe da realidade presente a nossa volta. Pensar por si só não é um problema, pensar torna-se problema quando estamos perdidos no pensamento e entramos num mundo que nos desconecta da realidade da vida. O que fazer então?

Não é possível parar de pensar apenas desejando parar de pensar ou dizendo para mente parar de pensar. Na verdade, nosso objetivo nem é parar de pensar. Estamos sugerindo que você aprenda a se conectar e viver a realidade e aprender com ela. Ou seja, é preciso experenciar para trazer um verdadeiro aprendizado para você. Ao invés de pensar sobre algo, podemos nos sintonizar diretamente com algo. Ter a experiência direta ou invés de divagar sobre a experiência. Quando uma pessoa fala para você que tem um filme muito bom no cinema, o mais engraçado é que mesmo sem você ter visto o filme é capaz de dizer a outra pessoa que tem um filme muito bom no cinema, mesmo se você ter visto o filme. Ainda tem mais, depois que você ver o filme, você nem gosta tanto dele assim. O que acontece aqui é bem claro. O que pode ser bom para um, não necessariamente é bom para outro. E você já estava falando do filme, sem nem ter vivido a experiência de assistir ao mesmo.

Através dos pensamentos conhecemos indiretamente algo sobre uma experiência. Enquanto no modo de atenção pela podemos descobrir outro tipo de conhecimento. A Experiência direta proporciona que possamos entrar em contato com os sentimentos em relação ao que está acontecendo e está conscientização se torna o próprio conhecimento.

Podemos planejar uma viagem, pegar dica com alguns amigos e até ver fotos de uma determinada cidade ou ponto turístico, trilha, etc. Fazer a viagem e estar presente nestes locais são experiências muito mais ricas e verdadeiras, são reais. Não é porque lemos ou sabemos de algo que verdadeiramente significa que aquilo é verdade para cada um de nós. Muitos vivem como um papagaio repetindo palavras, sem nunca ter vivido nada relacionado a ela. A sugestão de viver a experiência direta é que você possa falar a partir da sua experiência e não através dos seus pensamentos.