Porque tenho medo de aceitar como sou?

Muitos estão nesta situação: tem medo de se aceitar como são. Nos últimos séculos foi assim que aconteceu humanidade. Cultivaram e condicionaram todas as crianças e todos os seres humanos a não se aceitarem.
A estratégia é simples, é condená-lo e lhe dar ideias para que você esteja sempre tentando se tornar outra pessoa.

As crianças nascem nas mãos de uma sociedade inconsciente. E a sociedade inconscientemente começa moldando a criança segundo seus próprios ideais, esquecendo-se de uma coisa que é a mais fundamental: a criança tem um potencial próprio; uma semente de laranja, quando virar uma árvore, vai dar laranja e não abacate. Se ela tentar dar abacate, pode ser uma árvore frustrada. Ela tem que crescer não para ser outra coisa que não seja ela mesma. Se ela não for ela mesma, independente do que ela seja, ela vai permanecer completamente infeliz durante toda a sua vida. Sua vida vai se tornar algo diferente de seu potencial e ela vai se perguntar o que deu errado. Desde o início ela foi colocada na direção errada.

As pessoas que a puseram na direção errada, são as pessoas que ela acha que a amam, ela acha que são seus protetores, mas acabam por serem seus maiores inimigos. Inimigos no sentido de mudarem sua rota, estes são seus pais, professores, líderes que sem consciência, estão desviando a criança de seu caminho natural.

Muitas vezes você é direcionado a creditar que seus sonhos não são corretos, ou que suas ideias não são boas e que você precisa fazer isso ou aquilo para ter algum valor.  Se você não for o que a sociedade pensa que tem valor, então você não terá valor.

Para seguir seu próprio caminho é preciso ter uma coluna vertebral de aço para se levantar sozinho e dizer: “vou seguir meu coração, vou ser eu mesmo e nada mais”.

Isso demanda uma enorme coragem e é uma abordagem revolucionária que pode te libertar do sofrimento de não ser você mesmo.

Então você tem medo de ser você mesmo, porque ninguém te aceitou da maneira como você simplesmente é. De alguma forma foi criado um medo e uma apreensão de que, se você aceitar a si mesmo, será rejeitado por todos. Está é uma condição quase que absoluta na sociedade.

Esta forma de viver agradando os outros sem poder ser você mesmo vêm com todos os tipos de ansiedades e angustias, um vazio, uma vida como um deserto onde nada cresce, onde nada é verde, onde nunca nenhuma flor desabrocha, onde você anda, anda, anda e nunca encontra um oásis.

É natural que as crianças sempre fazem coisas que para serem reconhecidas e amadas. Elas se tornam cada vez mais falsas, cada vez mais uma mentira, cada vez mais distante de sua própria realidade, e de seu verdadeiro ser. É ai que surge o medo. O medo de deixar de ser uma ilusão e ser você mesmo. O medo de ao ser você mesmo, você não terá valor.

Você precisa viver uma vida feliz. E não duas maneiras de isso acontecer. Há apenas uma. Você tem que ser você mesmo, seja quem você for.

A partir dai, desta profunda aceitação e respeito por si mesmo, você vai começar a crescer. Vai criar flores próprias, uma nova contribuição para a existência.

Estando no meio da multidão é comum se sentir mais protegida do que sozinha. A mente argumenta internamente que toda humanidade não pode estar errada. Eu não posso ir sozinho. É melhor fazer parte da multidão, porque então você não será responsável se as coisas derem errado.

Todo mundo é responsável. Mas no momento em que você se separa da multidão está tomando sua responsabilidade em suas próprias mãos. Se algo der errado, você é o responsável. Mas lembre-se de uma coisa fundamental: a responsabilidade é um lado da moeda; o outro lado é a liberdade. Você pode ter ambas ou desistir de ambas. Se não quer ter responsabilidade, não pode ter liberdade, e sem liberdade não há crescimento.

Não importa quem você é. O que importa é que deve permanecer exatamente o que é, por que é a partir dai que se inicia o crescimento.

Disciplina e Meditação

A meditação começa quando você começa a se separar da mente e passa a ser apenas uma testemunha. Se você está olhando para uma luz, naturalmente é uma coisa é certa: você não é a luz, você é aquela pessoa que está olhando para ela. Se você observando flores, uma coisa é certa: você não é a flor, você é o observador.
A observação é a chave da meditação. Apenas observe sua mente.

 

Não precisa fazer mais nada, apenas observe o que a mente está fazendo e não a perturbe, não a reprima, não faça absolutamente nada de sua parte. Seja apenas um observador, e o milagre da observação é a meditação. A medida que você observa, lentamente, muito lentamente, a mente vai ser tornando vazia de pensamentos, mas você não está caindo no sono, esta ficando mais alerta, mas consciente.

Quando sua mente se torna completamente vazia, toda sua energia se torna uma chama do despertar. Está chama é o resultado da meditação. Então você pode dizer que a meditação é outro nome do testemunhar, da observação, sem nenhum julgamento, sem nenhuma avaliação. Apenas observando, você sai imediatamente da mente.

O observador nunca é a parte da mente. Conforme o observador se torna cada vez mais enraizado e forte, a distancia entre o observador e a mente vai se tornando cada vez maior. Logo a mente está tão distante que você mal consegue sentir que ela existe… Ela passa a ser apenas um eco em vales distantes. E, finalmente, até esses ecos desaparecem. Este desaparecimento da mente independe de seu esforço, independe de você usar qualquer coisa contra a mente – apenas deixe-a morrer a sua própria morte.

Quando sua mente está silenciosa, absolutamente ausente, você não consegue encontra-la em lugar algum. Você se torna pela primeira vez consciente de si mesmo porque a mesma energia que estava envolvida na mente, não encontrando a mente, volta para si mesma.

Tomar um bom banho, estar limpo e confortável, sentar-se em uma postura ereta e confortável, com os olhos fechados, nem faminto nem empanturrado de comida e simplesmente observar todo o corpo, ada parte dele, vendo se tem alguma tensão e relaxando ainda mais é uma boa prática que auxilia no aprofundamento da meditação. Você pode até praticar deitado, mas estar sentado no chão ou em uma cadeira, pode ajuda-lo a não adormecer.

E então simplesmente observe sua mente como se ela fosse um transito de pensamentos ou um filme. Um filme na TV ou no cinema, você é apenas um observador neutro. Está é a disciplina. Se ela for completa, a observação chegará muito facilmente, e a observação se tornará a meditação.

Através da observação a mente desaparece, os pensamentos desaparecem. E esse é o momento mais abençoado: quando você está desperto e um límpido céu azul surge do seu ser interior.

De repente sua consciência se torna muito rica, porque a energia é um alimento para sua consciência. A energia retornando cria quase uma chama do seu ser. Você vê pura luz e silêncio à sua volta. Silêncio absoluto, e um imenso centramento.

Agora você está no seu próprio centro.

No momento certo, quando você estiver perfeitamente centrado, vem uma explosão interior que proporciona todos os tesouros internos, todo o esplendor. Um grande milagre acontece, você conhece a si mesmo, você descobre que é imortal, que está além do corpo, além da mente, que você é consciência pura.

Por isso as técnicas e a disciplina são apenas um apoio. O essencial é o testemunhar, a observação – isso é meditação.