Ingratidão

Se temos o sol, a lua as estrelas, temos o mar, temos toda a natureza nos oferecendo tudo tão abunda­ntemente e absolutamente tudo eu precisamos, então porque reclamamos?.

Se reclamamos é porque não estamos percebendo esta dádiva que a existência nos oferece. A ingratidão que é a semente da reclamação, que acaba gerando e atraindo muitos desequilíbrios, infortúnios e inclusive muitas doenças para nossas vidas. Nem sempre é possível estarmos despertos e receptivos o suficiente para fazer esta relação de causa e efeito, de perceber q eu os infortúnios e as dificuldades estão relacionadas muitas vezes a ingratidão.

O orgulho é um reclamador profissional, nada está a altura dele. Nem o sol, nem a lua, nem as estrelas, não existe nada que o satisfaça, tudo é pouco. Normalmente o orgulho fala: eu mereço mais. Muitas pessoas vivem a vida focada nos sintomas e não na causa. A insônia e a ansiedade por exemplo: são sintomas e não as causas. Significa que existe uma corrente subterrânea atuando dentro de você.

Tem coisa acontecendo dentro de você, ou seja, inquietações que não te deixam dormir ou relaxar. Por exemplo: a ambição pode gerar grande inquietação. Muitas vezes a ambição não permite que a pessoa relaxe. Ela se torna ansiosa e preocupada de como conquistar mais e mais, está preocupada apenas em dar o próximo passo em subir degraus. Existe um eu idealizado. Que precisa conquistar cada vez mais para ter “segurança”. Para ter uma proteção e evitar ser humilhado ou exposto. Você tenta proteger a sua mentira. Como sustentar uma imagem que você aparentou para o mundo? É difícil, principalmente quando esta imagem é ameaçada por alguém ou por alguma circunstância.

Precisamos então, desenvolver a habilidade de lidar com as questões emocionais. Aprender a ver, sentir, ouvir e meditar a respeito daquilo que está diante de nós e dentro de nós. Quando desenvolvemos estas habilidades somos capazes de lidar com vários problemas, mesmo os mais urgentes, de maneira tranquila e serena e compassiva ao invés de reagir de forma conveniente a pressão da situação.

Desenvolver uma habilidade mental para lidar com estas questões é fundamental e normalmente não aprendemos isso em lugar algum. Lembre-se. Sempre que você sentir ingratidão e começar a reclamar, você está rebaixando a sua consciência. Você não consegue ver o que é belo. Você não consegue sentir a vida.

Comece a agradecer ao mistério ao milagre da vida e seu estado de consciência automaticamente volta a subir. Essa é a minha dica para este vídeo. Observe a ingratidão e pelo menos lembre-se de agradecer a vida.

Para quem não tem tempo

Uma das belezas que a prática da atenção plena nos proporciona é que não necessariamente você precisa de ter tempo suplementar do seu dia para praticar. Apenas precisamos treinar nossa mente para que esteja presente na ação, em vez de estar em alguns lugares, perdida em pensamentos. Isto responde aqueles que afirmam não terem tempo para treinar a mente, pois tem muitas atribuições, compromissos, responsabilidades e muitos problemas para resolver que não tem tempo para absolutamente nada.

Tem uma história bem legal para quem acha que não tem tempo para mindfulness.

Um aluno ou buscador, procurou um professor altamente bem-conceituado para aprender com ele sobre treinar a mente. Ele foi até o local que este professor dava aulas a seus alunos, mas ficou triste quando soube que havia uma grande fila de espera para poder ficar uns dias com este professor para aprender o que ele tinha para ensinar. Depois de muito insistir, ele conseguiu uma oportunidade de passar apenas uma semana neste local para aprender com o professor que ele tanto queria. Ele falou que estava disposto a tudo para ter uma oportunidade de ficar ali e aprender um pouco. No primeiro dia o professor o chamou antes da seção de passou-lhe algumas atividades que ele precisava cumprir antes de começar as práticas de mindfulness no salão principal com os outros alunos. Dia após dia quando este aluno pensava que ia ter sua primeira aula com o professor, o professor lhe passa mais tarefas antes da prática no salão. Até que um dia ele chegou até o professor e falou que ia embora dali. O professor falou: tudo bem. Obrigado por ter passado estes dias conosco. O homem ficou indignado. Como assim? Eu venho até aqui, luto para permanecer aqui, digo que vou embora e você nem quer saber o motivo? O professor com muita paciência falou: ok, por qual motivo você vai embora? E o aluno começou a falar: Aqui eu não tenho tempo para meditar. Como vou aprender a meditar se passo o dia inteiro fazendo coisas. Aqui não há tempo! O professor olhou com um sorriso no rosto e perguntou: quer dizer que não tens tempo para ser consciente? Com tanto barulho em sua cabeça o aluno replicou: é isso mesmo. Estou sempre tão ocupado com as tarefas que não tenho para estar presente. O professor Riu e então respondeu: Estás me dizendo que quando estar varrendo o pátio não tens tempo de tomar consciência da ação de varrer? Que quando estais passando as roupas no ferro, não tens consciência da ação de passar o ferro?

O objetivo de treinar a mente é tornar-nos mais conscientes. O tempo que temos para praticar é o mesmo, seja sentado de olhos fechados ou varrendo o pátio de olhos abertos. Neste momento o homem se calou, percebendo o quanto havia interpretado mal o treinamento da mente.

Como muitas outras pessoas, inclusive eu, pensava que para treinar minha mente eu precisava sentar completamente imóvel para meditar em silêncio. O treino da mente é muito mais flexível que isso. A prática de mindfulness nos mostra como podemos fazer as mais distintas atividades com a mesma qualidade mental. Não importa se temos uma vida sedentária ou muito ativa: temos a mesma oportunidade de praticar o mindfulness enquanto sentados como andando na rua ou num shopping. Todos temos as mesmas 24 horas independente de qualquer coisa. Quer estejamos conscientes das sensações físicas, das nossas emoções, dos pensamentos ou do conteúdo dos pensamentos, tudo é consciência e há sempre tempo para ser consciente.

Teoria e prática

Como todos sabemos existe uma grande diferença entre a teoria e a prática. Costumo explicar esta diferença com dois exemplos simples. A teoria pode corresponder a por exemplo ver um mapa e programar uma viagem, a prática, se dá quando você chega ao local. Por mais que você tenha planeja do tudo certinho, normalmente alguma coisa é deferente. Quando você chega ao local, você vive a experiência.

Da mesma forma você pode ler muitos cardápios e saber tudo sobre comidas. Saber os valores nutricionais, como são preparadas e cada detalhes que você deseje. Você pode saber tudo a nível da teoria, mas, provavelmente, enquanto não comer você não vai ter matado sua fome. Neste caso, comer e a prática que pode saciar sua fome e muitas vezes é completamente diferente der ver no cardápio. Ainda bem que os cardápios hoje em dia, colocam: foto meramente ilustrativa… e claro que é assim, pois a foto é apenas uma representação e o que pode ser agradável aos seus olhos, pode não ser agradável ao seu paladar. Ou seja, é preciso comer para sentir o gosto da comida.

Com o mindfulness é a mesma coisa. Você pode aprender a teoria e alguns conceitos, pode até ter feito algumas práticas, mas enquanto não fizer parte da sua vida, talvez você não sinta os verdadeiros impactos e benefícios do mesmo. Não se trata de um comprimido que você toma e pronto. Se trata de uma prática diária, um estilo de vida, é uma atividade regular e progressiva. Como tudo na via, quando mais você pratica, mais você desenvolve suas habilidades em mindfulness.

Embora estar presente exija um esforço consistente da mente, tal como a técnica de meditação, o tipo de esforço que é exigido é sem esforço. O esforço é, simplesmente, lembrar-se de notar quando foi que ficou embrenhado em pensamentos ou sentimento e, nesse momento, redirecionar sua atenção para o foco particular. Não importa se o foco é o sabor da comida que está a ingerir, o movimento do seu braço enquanto abre e fecha uma porta, o peso do seu corpo na cadeira debaixo de si, a sensação da água na sua pele enquanto toma banho, o som do seu coração em repouso ou durante atividade física, a sensação de um abraço, o cheiro da pasta enquanto escova os dentes ou mesmo o simples fato de beber um copo com água. A atenção plena pode ser aplicada à mínima coisa que se faz – sem exceções. Poder ser aplicado em atividade passivas ou dinâmicas, no interior ou exterior, no trabalho ou no lazer, sozinho ou acompanhado.

O que estamos falando é que não existe apenas uma forma específica de praticar mindfulness, não há necessidade de fechar os olhos nem de se concentrar na respiração.

Mais uma vez, mindfulness significa estar presente, consciente do que está fazendo, sem julgamento. É estar consciente do que está fazendo e como está fazendo. A maneira mais fácil é ter uma ancora para se concentrar e usamos nosso corpo ou a respiração por sempre estar conosco, ser de fácil acesso e sempre nos conectam com o momento presente. Sempre que perceber que sua mente divagou, recoloque a tenção ao ponto original de sal concentração e isso é tudo.

Ao concentrar em apenas um objeto por vez, é normal que a mente se acalma e é nessa calma que podemos fazer as coisas de forma diferente com mais qualidade, foco e concentração. Desenvolver esta habilidade é a diferença entre ter uma mente que parece fora do controle para uma mente estável e em paz.

Todos estes exercícios nos ajudam a acalmar os pensamentos e juntamente com isto vem a clareza. E esta é uma grande oportunidade para começar a perceber padrões e tendências da mente que o que nos ajuda a fazer melhores escolhas de como quer viver a nossa vida. Ao invés de ser aniquilado pelas emoções e os pensamentos improdutivos, podemos reagir da forma que realmente desejamos.