Impermanência da vida

Ver beleza na impermanência da vida é algo desafiador, porém, bastante possível e libertador. A partir do momento que aceitamos isso, saímos dessa necessidade de controle, que é a raiz dos nossos sofrimentos, doenças, medos, expectativas e angústias.

Nosso momento atual está sendo uma oportunidade única para aceitarmos e reconhecermos que, de fato, não temos nenhum controle da vida e de seus acontecimentos. A pandemia é algo que não podemos controlar, muito menos escolher não viver. Não podemos puxar a cordinha do ônibus, pedir parada e descer. Ela está aí. Mas, por mais desafiador que seja, existe um lado positivo em tudo que está acontecendo.

Viver é um mistério. Não sabemos se acordaremos vivos amanhã, se chegaremos em casa depois do trabalho, se acompanharemos o crescimento e desenvolvimento dos nossos filhos, por exemplo. Por mais doloroso que seja ler essas palavras, é a realidade de todos nós. Nada é permanente, a não ser a própria impermanência das coisas. O tempo todo, a vida interna e externa se movimenta e por mais que pensemos que podemos controlar certas coisas, estamos apenas escolhendo uma ilusão como guia.

Com a pandemia, com a morte de tantas pessoas, ficou um pouco mais latente tudo isso. E está aí a grande oportunidade que a ela está nos dando: viver o hoje. Estar mais ciente da impermanência da vida, da volatilidade da nossa existência, faz com que passemos a dar importância a coisas nem mesmo pensadas e valorizadas antes.

A pandemia está nos dando a oportunidade de desacelerar, de cuidar um pouco mais de nós mesmos, de olhar para dentro, de curtir um pouco mais nossa presença, de aproveitarmos os dias junto das pessoas que amamos, de fazer nossa comida, de valorizar um abraço, um aperto de mão. E isso se dá pela consciência da impermanência da vida.

Se a pandemia não acontecesse, qual seria o momento que daríamos conta de tudo isso? Qual seria o momento que pensaríamos sobre a brevidade de nossas vidas? Qual seria o momento que daríamos valor ao hoje, a saber que o presente é mesmo um presente?

É bem verdade que muitas pessoas, mesmo antes da pandemia, já estavam passando por esse processo de despertar, porém a grande maioria de nós estávamos vivendo no modo automático, sem se dar conta da beleza e da dádiva que é viver. A pandemia e o isolamento social nos trouxe muito mais que o medo do adoecimento da população. Em momentos de recolhimento como este pelo qual passamos aprendemos a valorizar o que importa e dar uma chance a outras perspectivas.


Tomar ciência da impermanência da vida, nos coloca em um lugar de gratidão. Gratidão pelo hoje, pela nossa saúde, pela nossa família, por nossos desafios diários, pelo nosso trabalho e por tudo que acontece ao nosso redor. Nada é por acaso e tudo está a serviço do nosso crescimento.
Pense nisso!

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