Por que você não consegue meditar?

Vamos ver um comportamento muito importante que nos explica porque muitas pessoas não conseguem meditar.

Este comportamento é: Lembrar e esquecer!

Começamos a meditar com foco em acompanharmos nossa respiração, mas normalmente e principalmente no início, nos perdemos pelo meio do caminho.

É muito comum acontecer isso com todos e em muitos contextos. Não apenas com o da meditação, mas de forma geral, nos distraímos e perdemos o foco do que desejamos fazer. Existem 3 coisas básicas que queria compartilhar com vocês relacionado a isso: É a Intenção, Atenção e Atitude.

Vamos lá:

Recebemos uma instrução, por exemplo: acompanhe a respiração.

E a maioria das pessoas, se tiverem realmente interessados nisso, vão tentar fazer isso “direito”!

É muito natural acharmos que existem maneiras certas e erradas de fazer as coisas. Assim sendo, ao receber uma instrução, como acompanhe a respiração, é natural achar que existe uma maneira certa de fazer isso.  Se você conseguir acompanhar a respiração, você está fazendo certo e sempre que divagar ou desconcentrar, você está fazendo errado. Compreende isso? Normalmente não nos sentimos assim?

Ok, isso é normal. Muitos passam por isso em muitas áreas diferentes. O que acontece com quase todas as pessoas quando elas se envolvem em algo é que a atenção se perde em uma jornada própria.

1 passo: Você se esquece e se lembrar de sua intenção!

Você decide acompanhar sua respiração por apenas 5 minutos e logo se esquece de fazer isso. Você se afasta desta intensão e começa a usar a oportunidade de alguns momentos tranquilos para planejar um pouco. Você aproveita para rever sua lista de coisas para fazer e aproveita para ensaiar, mentalmente, tudo o que precisa executar hoje ou amanha, ou até no próximo mês. Você se perde nisso por alguns momentos e depois se lembra que pretendia meditar. Então põe a lista de lado e volta para a respiração.

Um pouco depois, você se esquece desta intensão novamente e começa a ter um pequeno sonho. “ummmm… se eu ganhar na loteria… se seu ganhasse na loteria…. Como gastaria meu dinheiro?”. Você sonha por algum tempo e depois de algum tempo lembra da intensão, para de sonhar e retorna a ela.

Em seguida você pode esquecer mais uma vez sua intensão e começa a cochilar. Você se acomoda no cochilo e permanece assim por alguns instantes, depois volta a se lembrar da sua intensão, se endireita e retorna a meditação.

Você se esquece, repetidamente, da sua intensão de meditar.

2 passo: Você se esquece e se lembra de prestar atenção!

Você decide prestar atenção em sua respiração, mas logo depois outra coisa acontece e desvia seu foco. Talvez um ruído externo ao local que você está meditando. Isso capta a sua atenção, e você começa a se perguntar o que terá causado o ruído. O que ele significa? Etc…

Talvez passe um caminho do corpo de bombeiro e você começa a se perguntar onde é o incêndio. Até que você lembra de prestar atenção a sua respiração e coloca a atenção de volta.

Pode surgir uma dor ou desconforto na sua postura e mais uma vez você esquece da respiração e sua atenção se concentra na dor. Talvez você se pergunte: por que minhas costas estão doendo? Será que foi porque carreguei aquele peso ontem? Ou foi porque dormi de mal jeito? Então você se lembra da sua respiração e traz a atenção de volta.

Você se esquece e se lembra de prestar atenção a sua respiração repetidamente.

3 passo: Você se esquece e se lembra da atitude!

Você começa com a intenção de levar sua atenção para respiração com uma atitude amável e curiosa. No entanto logo se esquece desta atitude.

Sua mente não para de divagar e você começa a ficar irritado consigo mesmo. Começa a reclamar dos barulhos lá fora, começar a falar que é impossível meditar ou fazer qualquer coisa em silêncio. Você fica indignado com você mesmo por não estar conseguindo e se lembra da atitude de suavidade, amabilidade, curiosidade e aceitação. A tensão diminui e você começa a se acostumar com alguns barulhos e incômodos. Pouco depois surge alguma outra coisa ou até mesmo se você estiver ouvindo uma meditação guiada começa a te incomodar. Seja as instruções ou tom de voz do instrutor e você mais uma vez ficar irritado ou desconcentrado. Mas então se lembra da atitude amável e abandona a irritação para se acomodar na meditação.

Repetidamente você se esquece e se lembra da atitude que está procurando trazer para a meditação.

Concordam comigo que é mais ou menos assim quando desejamos fazer algo e nos dispersamos?

Eis o que é formidável e um grande milagre. Toda vez que você esquece, é uma oportunidade para se lembrar.

Cada vez que você se lembra é como se você estivesse fazendo pequenos ajustes nas vias neurais conectadas com a intensão prolongada. Atenção prolongada é uma atitude de gentileza e curiosidade.

Isso é o que pode ser chamado de neuroplasticidade. O segredo da neuroplasticidade é a repetição do comportamento ao longo do tempo. Se você fizer uma coisa uma única vez, isso pode não ter muito impacto no cérebro, mas se você fizer milhares de vezes, você começará a reestruturar seu cérebro.

A maioria das pessoas que realizam um programa de 8 semanas de mindfulness e cumprem os requisitos das práticas sugeridas, ou seja, realizam as atividades propostas, pegará sua mente divagando milhares de vezes. Isso significa milhares de oportunidade para se lembrar da intenção de prestar atenção com uma atitude de curiosidade delicada e amável.

Algumas pessoas dizem com frequência que não conseguem meditar que já tentaram e não tiveram sucesso. Que não conseguem parar seus pensamentos ou se concentrar na respiração ou qualquer outra coisa. Espero que, agora, você entenda que a questão é apenas notar e focar, notar e focar, repetidamente. Cada esquecimento é uma nova oportunidade de treinar e focar.

Ao fazer estes exercícios repetidamente, gradualmente você desenvolve músculos mental e emocional. Cada vez que você realiza estes exercícios você cultiva a atenção plena e outras qualidades da consciência.

O Processo envolve mais conscientização dos pensamentos do que a interrupção deles. Quanto mais você estiver consciente do que se passa na sua mente a cada momento, mais consciente de seus pensamentos, sentimentos, sensações e impulsos, gradualmente mais oportunidade de escolhas você vai ter com relação a eles. Não se trata de parar os pensamentos, o foco é deixa-los passar e apenas observar como nuvens no céu.

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