Pensamentos desnecessários e a vida como ela é

É comum todos nós buscarmos a paz ou a simplicidade. Mas o mundo a nossa volta nos incentiva a batalha e conflitos: “Mova-se. Isso ou aquilo é injusto e você não pode ficar parado”, “Seja inseguro. Estamos mergulhados em uma crise e o futuro é incerto”, “Sinta culpa. Com tanta gente sofrendo, como você pode ser feliz?”, “A vida é uma luta, se você parar, você é um fracassado”.

 

No mundo animal, não há necessidade de ser diferente do que já é ou de conquistar mais do que é necessário ou se tem. A chuva, as estrelas, o sol ou a lua, uma formiga ou a leveza de uma pássaro – tudo isso simplesmente é.

Tudo é uma questão de ponto de vista. Meias, toalhas e roupas espalhadas pelo quarto ou casa, pode ser motivo de muitas brigas e até o fim de uma relação. No entanto na visão do cachorro de estimação, todas estas peças pelo chão não seriam motivos de problemas e sim de grande alegria e brincadeiras. A pureza ainda está preservada dentro dos animais, características que tínhamos em nossa infância e nos esquecemos ao longo da vida. Ao relaxar a mente, podemos resgatar e reaprender a desfrutar da felicidade sem causa e simplicidade perdida.

Muitas vezes nos afastamos ou ignoramos as pessoas que fazem parte de nossas vidas, não sabemos ao certo se queremos permanecer com ela ao nosso lado ou se desejamos estar com outra pessoa, muitas vezes nos perdemos em pensamentos relacionados se e até quando este relacionamento vai durar e por ai vamos nos perdendo cada vez mais. Os resultados dessas inquietações é que, quando nos preocupamos com o que queremos ou não de alguém ou com o que aprovamos ou não nessa pessoa, deixamos de ver sua bondade, sua astúcia, sua delicadeza, sua tristeza ou seja lá o que for que ela tenha a oferecer. Isso complica desnecessariamente as nossas vidas e bloqueia a alegria de viver e a paz de espírito.

Nós nos acostumamos com as coisas e não damos a devida importância para ela. Olhamos para as coisas como se fossem fúteis ou simplesmente não observamos seu verdadeiro valor. Os que tem água encanada em casa, abrem diariamente suas torneiras para tomar banhos, lavam pratos ou escovam os dentes e não se dão conta da benção que é ter água disponível para estas atividades. Quem nunca viu o mar ou um grande rio, ficaria encantado ao ver tanta água disponível, mas normalmente quem tem acesso a estas belezas da natureza em seu dia a dia, costuma não perceber a devida beleza ou importância da mesma.

Uma pequena história vai nos ajudar a compreender melhor o que estou falando.

Trata-se de uma criança, o pai e o caminhão:

Uma criança de dois anos estava na calçada com seu pai, esperando o sinal abrir, quando um caminhão enorme começou a virar a esquina bem no instante em que o sinal ficou verde. Enquanto o pai esperava o caminhão passar para atravessar a rua. Nesse momento, ouviu o filho dizer: — Caminhão grande! Ao olhar para criança,

O pai percebeu que seus olhinhos estavam brilhando de prazer. E ao olhar novamente para aquele enorme caminhão que passava tão perto que poderia tocá-lo se desse um passo à frente. O pai finalmente, viu o caminhão em toda sua majestade. Parecia a nave de um filme do tipo Guerra nas Estrelas. Ele não havia percebido isso antes. Talvez porque estivesse pensando que aquele caminhão não deveria estar ali atrapalhando seu caminho, ou que eu tinha algo bem mais importante a fazer do que esperá-lo passar. Esses pensamentos impediram que ele aproveitasse o prazer daquele momento, de pé, na calçada, ao lado de seu filho, segurando sua mãozinha. Isso é o que quero dizer com pensamentos desnecessários — o tipo que as criancinhas têm pouquíssimos, se é que têm algum, e, por isso, em geral, são objetivas e felizes.

Uma mente tranquila vê o que está aqui. Uma mente ocupada vê o que não está aqui. Aquele que está presente é nada mais, nada menos, do que aquele que está presente. Portanto, você pode pensar o que quiser sobre as pessoas, mas saiba que isso não vai transformá-las.

Nossa vida é cheia de batalhas inúteis exatamente porque nossa mente é cheia de pensamentos inúteis. Sofremos por histórias infelizes do passado como se elas ainda estivessem acontecendo e temos o hábito de ficar ruminando sobre o que acabamos de fazer. É preciso esvaziar a mente. Quando não conseguimos nos desvencilhar dos pensamentos negativos, eles diminuem nossas chances de ser feliz.

É o caso da sogra que não consegue aceitar seu genro porque ele tem costumes, valores financeiros, crenças e se veste diferente da família. Ela está apenas atacando sua própria capacidade de amar. Sua rejeição não mudará o genro, nem o amor que sua filha sente por ele — apenas a afastará do amor da filha.

Uma frase que resume bem o que estamos falando e me inspira muito é: “Faça com que seu estado mental seja mais importante do que o que você estiver fazendo.”

Pense bem: Navios não afundam por causa da água ao redor deles. Navios afundam por causa da água dentro deles. Não deixe o que está acontecendo em torno de você invadir seu interior e afundá-lo.

Um dos nossos maiores erros é deixar as circunstâncias serem mais importantes do que o nosso estado de espírito. Agora, para reverter isso, é preciso desbloquear a mente e podemos começar a fazer isso em 3 etapas:

Primeira: Para eliminar o que impede a experiência de plenitude e paz, você precisa examinar o impedimento.

Imagine que no meio de um trabalho que você julga importante, seu companheiro ou companheira, pede para você fazer alguma coisa por ele naquele mesmo instante. Talvez você fique irritado porque o outro está interrompendo seu trabalho. Se você aprofundar no sentimento talvez encontre um pensamento que esteja dando origem a este conflito: “Eu não deveria ter que fazer o que não quero fazer.” Se parar para pensar um pouco mais, talvez perceba que faz as coisas que não quer fazer o tempo todo e por isso existe um acúmulo desta angústia em você. Talvez, neste caso específico, você poderia parar um pouco para ajudar seu companheiro ou companheira que precisa de você naquele momento.

O que ajudou a compreensão esta situação foi voltar-se para si ao invés de desejar que o outro ou a situação mudassem.

Sempre que desejamos que as pessoas mudem ou que as circunstâncias nos sejam favoráveis, estamos, de alguma forma, nos eximindo da responsabilidade por nosso estado mental. É como se assumíssemos o papel de vítimas e ficássemos torcendo para sermos poupados.  Quando o objetivo é manter o senso de integridade, independente do que acontecer à nossa volta, não nos tornamos vítimas. Nada fica “fora de controle” se quisermos. Somos nós que deixamos as pessoas e as situações serem quem são e o que são. Isto não quer dizer que aprovamos a maneira como se comportam e também não significa que deixamos que elas nos atropelem.

Não sei se você já percebeu a frequência com que os motoristas se colocam em risco só para dar uma liçãozinha a um outro motorista. É comum acelerarem para mostrar ao outro que não é correto mudar de pista, ou grudarem atrás de quem está indo muito devagar ou mesmo não deixarem espaço para aquele carro que forçou a entrada bem na sua frente depois de uma ultrapassagem perigosa. Esses “justiceiros do trânsito” são exemplos clássicos de vítimas. Só ficam satisfeitos se os outros motoristas demonstrarem que entenderam o recado. O problema é que pressionar os outros motoristas não muda seus corações. Apenas cria um conflito, que divide a mente e confunde as nossas emoções. Ninguém em tempo algum se tornou mais sensível ou mais ponderado por ser maltratado ou atemorizado.

 

Segunda: Para superar o bloqueio, você precisa ter muita clareza do que quer.

Esta etapa parece fácil. Afinal, você gostaria de atender o pedido de seu companheiro ou companheira, terminar seu trabalho, independente da ordem dos fatores e estar em paz.

Se você der o verdadeiro valor a estar em paz, verá que ela é muito mais importante do que os pensamentos que a estava bloqueando-a.

 

Terceira: Para atingir a plenitude, você deve reagir a partir da mente íntegra, não da mente em conflito.

Esta etapa parece mais difícil. Para começar, é preciso descobrir a plenitude que existe dentro de cada um de nós. Que todos nós a possuímos é fato, mas trazê-la à tona é outra história. Em geral, nos sentimos em paz quando estabelecemos uma ligação gentil e amorosa com as outras pessoas. Mas, se a mente arrisca um pensamento perturbador e se as duas primeiras etapas desse processo não forem realizadas com sinceridade, corre-se o risco de escorregar e cair novamente no velho estado mental conflitante.

Para evitar esse risco é preciso agir com pureza de alma. Será que sinceramente desejamos a paz aos que estão à nossa volta? Será que sinceramente desejamos uma mente que conheça a serenidade e que tenha uma profunda ligação com nosso parceiro (a), com nossos filhos, pais, irmãos e amigos? Ou seria melhor resguardar nosso coração e permanecer em posição de julgar e de estar sempre com a razão?

Neste ponto, a terceira etapa pode se tornar um tanto complicada, especialmente se surgir a tentação de controlar nossas emoções mais destrutivas e impulsos mais sombrios. Esses sentimentos de fato exigem controle, mas a verdade é que não se está em guerra com as circunstâncias ou comportamentos e pensamentos.

E exatamente o contrário. Quando se está numa batalha inútil, o melhor a fazer é abandonar o campo de batalha.

Uma boa ilustração de como isto funciona está na maneira como sentimos o amor. Nos relacionamentos amorosos, todo mundo deseja encontrar alguém carinhoso, que compartilhe seus interesses, que satisfaça suas necessidades, que só tenha olhos para você e o adore até a velhice. Infelizmente, isso não funciona, como demonstra a crescente taxa de divórcios.

A razão pela qual um bicho traz felicidade a seu dono, um filho a seus pais e uma mulher a seu marido, é que sentimos amor. Quando não se ama, o mais dedicado bichinho, planta, filho ou amante não tocará o nosso coração. Simplesmente não funciona assim. Por milhares de anos, nos disseram que o amor é maravilhoso.

A maioria das pessoas acredita que ser amado é uma sensação maravilhosa. E é. Mas, antes de você conhecer “o amor”, é preciso amar. Quando se ama, você recebe mais do que a sensação de ser amado.

Encontramos casais muito idosos que, obviamente, não são mais atraentes como eram, mas conseguem enxergar e sentir a beleza do amor.

Para que isto aconteça, basta acessar sua mente amorosa e tranquila — não a mente ocupada e fragmentada.

Saiba que ninguém passa diretamente de uma abordagem conflitante para uma de pura unidade e paz. Para ser realista, fazer o melhor possível hoje já é ótimo. Basta um pequeno progresso a cada dia, afinal, é o rumo que importa. Este é, sem dúvida, um objetivo mais estimulante e mais produtivo do que tentar a realização total e plena.

Chaves para paz interior

A paz é a mais elevada das virtudes. É o maior anseio de todos os seres. Para chegar a este estado de espírito é preciso abrir mão do controle é preciso ter fé e confiar na vida. Se você acha que tem problemas, você entrega ele a Deus ou ao universo. Entregue seus problemas a algo maior que você e confie que o mesmo será resolvido. Você nem sequer precisa mais pensar sobre isso e se concentra em viver a vida em harmonia, amor e união.

 

Muitas pessoas acreditam que serão felizes se tiverem algum objeto ou seus desejos atendidos, mas na verdade a verdadeira felicidade só pode ser alcançada com paz coração e na mente. Enquanto você acreditar que precisa conquistar algo para ser feliz ou estar em paz, você continuará a correr atrás das coisas sem nunca chegar a algum lugar que possa simplesmente ser.

Durante nossa trajetória de vida, e principalmente na infância, todos passamos por choques que normalmente se transformam em traumas e estes traumas, por sua vez, podem se transformar em “nãos “para vida.

Isso ocorre porque existem imagens congeladas em nosso sistema e comparamos constantemente as experiências da vida atual com as imagens do passado. Sem ter consciência disso em nosso dia a dia, estamos constantemente fugindo das situações desagradáveis, sem nem saber o por quê. Na verdade, muitas vezes estamos fugindo de traumas registrados em nosso inconsciente. Estamos fugindo de nossa “criança ferida”.

Trata-se de dores muito profundas e inconsciente, mas que exercem grande influência em nossas vidas.

Para transformarmos estes traumas do passado compartilharemos algumas chaves que podem ajudar no despertar da consciência amorosa e paz interior.

 

Silêncio

A primeira chave é o cultivo do silêncio, porque é nele que podemos ouvir a voz do coração. Quando você compreende isso, naturalmente você deveria procura cultivar o silêncio em sua vida diária. Não me refiro apenas ao barulho que sai pela boca quando falamos, pois, podemos estar de boa fechada, mas completamente barulhento por dentro. Estou me referindo aos pensamentos compulsivos. Estou me referindo ao silêncio interno.

Honestidade

Honestidade não tem haver sair por aí falando para os outros tudo o que pensamos que é verdade. As vezes o outro não está pronto para ouvir aqui, mesmo que o que você esteja falando seja verdade e isso pode alimentar discursões e conflitos desnecessários. Seguir a verdade, significa ouvir o chamado do seu coração.

Ação correta

Ação correta é sinônimo de com senso e discernimento. Não tem nada haver com moralismo. Não tem haver com seguir regras rígidas impostas pelo mundo externo do que está certo ou errado. É uma ação que parte de sua intuição, é a voz do seu coração, é ter coragem de ser você mesmo, autentico e espontâneo.

Não violência

Não violência é uma ação altruísta ou sem ego. Significa deixar de ser canal da destruição e da maldade que provoca sofrimento no outro e em si mesmo, não importa em que nível.

Amor consciente

Para manifestar o amor consciente é preciso primeiro reconhecer o seu desamor. Procure identificar em quais situações e com quem você ainda não pode ser amoroso. Onde e com quem o seu amor não fui livremente? Em que situações o seu coração se fecha?

Por meio desse processo de limpeza interior descobrimos muitas verdades sobre nós mesmos. Aprendemos como identificar e remover os obstáculos que emergem quando trilhamos o caminho do coração. A cada pedaço de lixo que removemos, abrimos os canais para que nosso amor flua livremente.

Presença

Essa é a chave mestra que ilumina toda a escuridão. Então, por que não focamos apenas nela? Porque nem todos estão prontos para utilizá-la imediatamente. A mente humana está muito identificada com traumas da infância que precisam ser purificados antes de conseguirmos sustentarmos a presença em sua plenitude.

Serviço desinteressado

Esse é o amor em movimento. É quando você pode se doar verdadeiramente ao outro sem querer nada em troca.

Lembrança constante de Deus

Naturalmente você começa a manifestar a lembrança constante de Deus. Me refiro a Deus como a centelha de vida que está em tudo e em todos. Você começa a olhar para os outros além da aparência.

Ação e reação

Mesmo sem perceber, a maioria das pessoas estão reagindo as situações ao invés de agirem diante das situações.

Vamos primeiro entender o termo reação. Significa que você esta reagindo inconscientemente. Alguém está manipulando você. Alguém diz uma coisa, faz alguma coisa, e você reage. O verdadeiro dono da situação é outra pessoa. Alguém aparece e insulta você e você reage, fica com raiva. Alguém aprece e elogia você e você sorri e fica feliz. Trata-se da mesma coisa. Você é vulnerável ao externo e o outro sabe como mexer com você. Vamos conversar um pouco como perceber melhor este padrão para que não sejamos uma marionete dos outros.

Você não pode prever o que chega ou acontece com você, mas você pode escolher como agir diante disso. Lembre-se, nós reagimos de acordo com os nossos condicionamentos. Nós reagimos porque fomos condicionados de certa maneira. Você pode ter sido condicionado a ser muito educado. Pode ter sido condicionado a ficar calmo em situações em que as pessoas normalmente ficam agitadas e ensandecidas. Mas isso é apenas um condicionamento, não tem nada a ver com agir conscientemente.

Quando somos livres, quando deixamos o condicionamento de lado e passamos a olhar a vida com novos olhos, sem nuvens de condicionamento atrapalhando, passamos a ser imprevisível. Quanto mais consciente no momento presente, passamos a deixar as ideias fixas e agimos sem preconceitos ou planos. Aconteça o que acontecer no momento, você poderá ser autentico e verdadeiro.

Neste momento é importante destacarmos duas palavras: autoridade e autenticidade. Normalmente agimos de acordo com a autoridade que nos condicionou, seja um padre, o político, os pais, professores e etc… Nos comportamos da forma que aprendemos que devemos nos comportar, ou seja, de forma condicionada. Uma pessoa livre pode se comportar de acordo com sua autenticidade. Diante de cada situação ela responderá em alinhamento com todo o seu SER. Ela fará sempre o melhor naquele momento presente. A cada momento ela será autentica com seus sentimentos.

Muitas vezes dizemos um sim para fora, mas estamos com um não maior do mundo dentro da gente. Ou seja, fazemos uma coisa sentindo que poderíamos fazer outra. Precisamos resgatar o valor do sim e o valor do não. As vezes gosto de falar que um não para fora pode ser um grande sim para dentro ou para liberdade.

Falando em liberdade, vejo que neste contexto, liberdade significa a capacidade de dizer “sim” quando é preciso dizer sim “sim”, de dizer “não” quando é preciso dizer “não” e de ficar calado as vezes, quando nada é necessário.

Uma das dinâmicas que podemos nos ajudar nesta questão de ação e reação, do sim e do não é começarmos a alinhar nossos pensamentos, palavras e ações.

Precisamos desenvolver mais integridade e honestidade. Precisamos começar a nos libertarmos de uma profunda contradição que nos habita. Até então, você não está conseguindo ir na direção que deseja.

Quando você aprende a usar sua mente, você faz qualquer coisa. Quando você compreende, realmente, que tudo aquilo que se manifesta na matéria começa na mente, que aquilo que você pensa, você cria; quando você aprende a usar isso mesmo, você começa a brincar de Deus. Começa a brincar de criador.

É fácil realizar desejos. É só você colocar toda a sua energia em uma direção. Quando você quer uma coisa com todo o seu coração, isso significa pensamento palavra e ação reunidos em uma única direção, você se torna um raio de realização. Normalmente, se você não tem seus desejos atendidos, é porque você pensa uma coisa e faz outra; fala uma coisa e sente outra; o coração te leva para um lado e a mente está indo para outro.

Libertar-se das contradições é absolutamente necessário, libertar-se do auto-engano é absolutamente necessário. Precisamos buscar uma equanimidade mental.

Quando você estabiliza a sua mente no momento presente, você coloca o amor em ação, você coloca o amor em movimento. Caso contrário, você estará reagindo, reagindo, reagindo. A ação e a espontaneidade sempre se manifestam com sabedoria e compaixão.

A questão é como fazer o que você te quem fazer. Chega um momento em que você se torna sensível, a ponto de perceber quando você está se desviando do caminho do coração. O seu corpo emite um sinal de alerta. O corpo se contrai, você sente desconforto, você sente algum desencaixe. É o corpo que te revela que existe algo desalinhado.

Equanimidade não é calar diante das injustiças, mas é agir a partir de um coração amoroso. É a única maneira de a gente interromper esse círculo vicioso, onde a gente trata o mal com um mal.

Às vezes o amor se manifesta com firmeza, às vezes ele coloca limites. Mas essa firmeza, esse limite, nascem do amor, de uma ação.

Sim, o que estou te propondo é estabilizar a sua mente para uma ação alinhada com o amor.

Precisamos superar nossas contradições que nos habitam. Precisamos no mover para frente e para cima ao invés de ficar andando em círculos. Deixe claro para o universo o que você quer. Assim você colabora com o universo, você ajuda o universo a te ajudar.

A felicidade não é uma coisa

Buscar a felicidade fora de nós mesmos é como tentar agarrar uma nuvem. A felicidade não é uma coisa: é um estado mental. A verdadeira felicidade nunca será encontrada fora do Eu. Precisa ser vivida e não pode ser comprada em caixinhas. A inquietação mental resulta de uma percepção voltada para fora.

Muitos hábitos inconscientes envolvem nossa mente e eliminam toda paz interior que por ventura tenhamos desfrutado.  Muitos ainda vivem pelo condicionamento do materialismo e se envolvem de tal forma a fazer dinheiro que não conseguem relaxar e gozar seu conforto, mesmo depois de adquiri-lo. A vida moderna esta levando muitos a insatisfações. Basta olhar à sua volta. Pergunte-se: Essas pessoas estão felizes ou querem demostrar que estão felizes? Note o medo em seus pensamentos, o vazio em seus olhos, as expressões tristes em suas faces ou o cansaço em suas vidas. É comum ver pessoas dependendo de circunstancias exteriores para o seu sustento físico, mental e espiritual. Sem nunca olhar para dentro ou para verdadeiramente se conhecer, o homem aos poucos esgota sua reserva de energia. Não há nada de errado em ter riqueza e ser próspero, o desequilíbrio está em deixar de viver a vida em função disto. É claro que é melhor ter dinheiro do que não ter. Lembre-se que é a pobreza espiritual e não a material que está no centro do sofrimento humano. É disto que estamos falando.

Convém distinguir entre o necessário e o supérfluo. As coisas necessárias são poucas, ao passo que as supérfluas não têm fim. Quanto mais depender das coisas exteriores para a sua felicidade, menos felicidade duradoura experimentará.

A felicidade pode ser assegurada pelo exercício do autocontrole, pelo cultivo de hábitos simples e pensamentos elevados. Tente ganhar mais a fim de ajudar os semelhantes a ajudar-se a si mesmos. Uma das leis tácitas da vida é que quem ajudar os outros a obter abundancia e felicidade será sempre ajudado, e obterá mais e mais prosperidade. Essa é uma lei da felicidade que não pode ser infringida.

Muitos estão vivendo mecanicamente. Apesar de ter um corpo respirando passarão pela vida sem nunca ter verdadeiramente vivido. Se você teimar em ser triste ou permanecer apegado as dificuldades e ao sofrimento, ninguém no mundo o fará feliz. Mas se preparar a mente para ser feliz, nada, nem ninguém no mundo lhe roubará essa felicidade.

Se você direcionar sua intensão para encontrar a alegria dentro de si mesmo, cedo ou tarde a encontrará. Busque-a todos os dias, praticando a meditação, e sem dúvida achará a felicidade duradoura. Mergulhe dentro de si mesmo, pois ali está a maior das alegrias.

A felicidade cresce graças aquilo que a alimenta. Aprenda a ser feliz sendo feliz o tempo todo. Alguém uma vez disse: “se eu tiver dinheiro, serei feliz”. Depois de ter dinheiro, afirmou: “serei feliz se puder me livrar da minha indigestão aguda”. A doença foi curada, mas ele pensou: “se me casar, serei feliz”. O primeiro casamento só lhe trouxe problemas; o segundo foi pior ainda e ele acho que seria mais feliz quando se divorciasse. Hoje com 70 anos de idade imagina: “só serei feliz se voltar a ser jovem”. E assim as pessoas vão tentando atingir a meta da felicidade, sem jamais a ter conseguido.

Condicione a sua mente a ser feliz na riqueza e na pobreza, na saúde ou na doença, no bom ou no mau casamento, na juventude ou na velhice. Não espere mudanças em si próprio, em sua família ou em seu ambiente para ser feliz no intimo. Disponha-se a sê-lo agora mesmo, quem quer que você seja ou onde quer que você se encontre.

Porque tenho medo de aceitar como sou?

Muitos estão nesta situação: tem medo de se aceitar como são. Nos últimos séculos foi assim que aconteceu humanidade. Cultivaram e condicionaram todas as crianças e todos os seres humanos a não se aceitarem.
A estratégia é simples, é condená-lo e lhe dar ideias para que você esteja sempre tentando se tornar outra pessoa.

As crianças nascem nas mãos de uma sociedade inconsciente. E a sociedade inconscientemente começa moldando a criança segundo seus próprios ideais, esquecendo-se de uma coisa que é a mais fundamental: a criança tem um potencial próprio; uma semente de laranja, quando virar uma árvore, vai dar laranja e não abacate. Se ela tentar dar abacate, pode ser uma árvore frustrada. Ela tem que crescer não para ser outra coisa que não seja ela mesma. Se ela não for ela mesma, independente do que ela seja, ela vai permanecer completamente infeliz durante toda a sua vida. Sua vida vai se tornar algo diferente de seu potencial e ela vai se perguntar o que deu errado. Desde o início ela foi colocada na direção errada.

As pessoas que a puseram na direção errada, são as pessoas que ela acha que a amam, ela acha que são seus protetores, mas acabam por serem seus maiores inimigos. Inimigos no sentido de mudarem sua rota, estes são seus pais, professores, líderes que sem consciência, estão desviando a criança de seu caminho natural.

Muitas vezes você é direcionado a creditar que seus sonhos não são corretos, ou que suas ideias não são boas e que você precisa fazer isso ou aquilo para ter algum valor.  Se você não for o que a sociedade pensa que tem valor, então você não terá valor.

Para seguir seu próprio caminho é preciso ter uma coluna vertebral de aço para se levantar sozinho e dizer: “vou seguir meu coração, vou ser eu mesmo e nada mais”.

Isso demanda uma enorme coragem e é uma abordagem revolucionária que pode te libertar do sofrimento de não ser você mesmo.

Então você tem medo de ser você mesmo, porque ninguém te aceitou da maneira como você simplesmente é. De alguma forma foi criado um medo e uma apreensão de que, se você aceitar a si mesmo, será rejeitado por todos. Está é uma condição quase que absoluta na sociedade.

Esta forma de viver agradando os outros sem poder ser você mesmo vêm com todos os tipos de ansiedades e angustias, um vazio, uma vida como um deserto onde nada cresce, onde nada é verde, onde nunca nenhuma flor desabrocha, onde você anda, anda, anda e nunca encontra um oásis.

É natural que as crianças sempre fazem coisas que para serem reconhecidas e amadas. Elas se tornam cada vez mais falsas, cada vez mais uma mentira, cada vez mais distante de sua própria realidade, e de seu verdadeiro ser. É ai que surge o medo. O medo de deixar de ser uma ilusão e ser você mesmo. O medo de ao ser você mesmo, você não terá valor.

Você precisa viver uma vida feliz. E não duas maneiras de isso acontecer. Há apenas uma. Você tem que ser você mesmo, seja quem você for.

A partir dai, desta profunda aceitação e respeito por si mesmo, você vai começar a crescer. Vai criar flores próprias, uma nova contribuição para a existência.

Estando no meio da multidão é comum se sentir mais protegida do que sozinha. A mente argumenta internamente que toda humanidade não pode estar errada. Eu não posso ir sozinho. É melhor fazer parte da multidão, porque então você não será responsável se as coisas derem errado.

Todo mundo é responsável. Mas no momento em que você se separa da multidão está tomando sua responsabilidade em suas próprias mãos. Se algo der errado, você é o responsável. Mas lembre-se de uma coisa fundamental: a responsabilidade é um lado da moeda; o outro lado é a liberdade. Você pode ter ambas ou desistir de ambas. Se não quer ter responsabilidade, não pode ter liberdade, e sem liberdade não há crescimento.

Não importa quem você é. O que importa é que deve permanecer exatamente o que é, por que é a partir dai que se inicia o crescimento.

Disciplina e Meditação

A meditação começa quando você começa a se separar da mente e passa a ser apenas uma testemunha. Se você está olhando para uma luz, naturalmente é uma coisa é certa: você não é a luz, você é aquela pessoa que está olhando para ela. Se você observando flores, uma coisa é certa: você não é a flor, você é o observador.
A observação é a chave da meditação. Apenas observe sua mente.

 

Não precisa fazer mais nada, apenas observe o que a mente está fazendo e não a perturbe, não a reprima, não faça absolutamente nada de sua parte. Seja apenas um observador, e o milagre da observação é a meditação. A medida que você observa, lentamente, muito lentamente, a mente vai ser tornando vazia de pensamentos, mas você não está caindo no sono, esta ficando mais alerta, mas consciente.

Quando sua mente se torna completamente vazia, toda sua energia se torna uma chama do despertar. Está chama é o resultado da meditação. Então você pode dizer que a meditação é outro nome do testemunhar, da observação, sem nenhum julgamento, sem nenhuma avaliação. Apenas observando, você sai imediatamente da mente.

O observador nunca é a parte da mente. Conforme o observador se torna cada vez mais enraizado e forte, a distancia entre o observador e a mente vai se tornando cada vez maior. Logo a mente está tão distante que você mal consegue sentir que ela existe… Ela passa a ser apenas um eco em vales distantes. E, finalmente, até esses ecos desaparecem. Este desaparecimento da mente independe de seu esforço, independe de você usar qualquer coisa contra a mente – apenas deixe-a morrer a sua própria morte.

Quando sua mente está silenciosa, absolutamente ausente, você não consegue encontra-la em lugar algum. Você se torna pela primeira vez consciente de si mesmo porque a mesma energia que estava envolvida na mente, não encontrando a mente, volta para si mesma.

Tomar um bom banho, estar limpo e confortável, sentar-se em uma postura ereta e confortável, com os olhos fechados, nem faminto nem empanturrado de comida e simplesmente observar todo o corpo, ada parte dele, vendo se tem alguma tensão e relaxando ainda mais é uma boa prática que auxilia no aprofundamento da meditação. Você pode até praticar deitado, mas estar sentado no chão ou em uma cadeira, pode ajuda-lo a não adormecer.

E então simplesmente observe sua mente como se ela fosse um transito de pensamentos ou um filme. Um filme na TV ou no cinema, você é apenas um observador neutro. Está é a disciplina. Se ela for completa, a observação chegará muito facilmente, e a observação se tornará a meditação.

Através da observação a mente desaparece, os pensamentos desaparecem. E esse é o momento mais abençoado: quando você está desperto e um límpido céu azul surge do seu ser interior.

De repente sua consciência se torna muito rica, porque a energia é um alimento para sua consciência. A energia retornando cria quase uma chama do seu ser. Você vê pura luz e silêncio à sua volta. Silêncio absoluto, e um imenso centramento.

Agora você está no seu próprio centro.

No momento certo, quando você estiver perfeitamente centrado, vem uma explosão interior que proporciona todos os tesouros internos, todo o esplendor. Um grande milagre acontece, você conhece a si mesmo, você descobre que é imortal, que está além do corpo, além da mente, que você é consciência pura.

Por isso as técnicas e a disciplina são apenas um apoio. O essencial é o testemunhar, a observação – isso é meditação.

O que é Meditação

Como você já sabe, entender sobre meditação será bem diferente do dia em que você experenciar uma meditação. Para cada pessoa, cada meditação, trará momentos diferentes. Espero que as próximas palavras sejam um incentivo para você encontrar suas próprias definições sobre meditação.

É mais importante você experimentar do que simplesmente entender. Entender não trará nenhum benefício para você. Vamos lá então.

O modo natural de meditar tem pouco a ver com técnicas. Começa simplesmente com o seu interesse pela vida. Normalmente medimos nossa idade a partir do momento em que nascemos. As vezes, percebemos que as pessoas mais velhas têm mais sabedoria e conhecimento por terem maior experiência de vida. O Material de nosso corpo nasceu a mais de 15 bilhões de anos. Talvez haja alguma sabedoria aí! Pense na formação desses átomos, criados em um sistema solar completo que levou milhões de anos de modelagem inteligente para construir este corpo. É uma história maravilhosa e no mínimo curiosa. Entenda que o feto não segue uma técnica para crescer é algo natural.

Muitas pessoas passam a vida buscando por respostas e muitas delas querem respostas em palavras, mas nem tudo pode ou precisa ser compreendido com palavras. Estamos muitos ocupados em o que precisamos fazer para ter sucesso ao invés de nos concentrarmos em saber quem somos ou simplesmente experenciarmos o que somos.

A meditação redesperta o questionamento sobre a totalidade do ser não serve apenas para resolver problemas, aliviar o estresse ou nos dar mais controle sobre nossa vida. Meditamos para despertarmos para a história universal e multidimensional daquilo que somos. Esse é o verdadeiro caminho para saúde. A meditação pede uma percepção similar a de um cientista, de alguém que procura a verdade, explorando o laboratório da experiência de estar vivo e acordado.

Muitas vezes as pessoas meditam como se estivessem cumprindo uma penitência. O exercício todo é uma luta enorme que esperam que seja boa para ela. Imaginam que, se continuarem fazendo esse esforço em suas práticas, se conseguirem ao menos se livrar de suas várias distrações, finalmente a luz surgirá e pronto: Será o fim de sus problemas. Ter esta atitude ao meditar não nos deixa entrar em contato com as qualidades essenciais que nos alimentam, o sentido de amplitude e o envolvimento constante com o crescimento e com as descobertas.

A meditação não deveria ser vista como uma coisa fragmentada ou pontual, ela deve ser contínua. Você senta para meditar e logo em seguida larga a meditação, faz uma oração e em seguida larga esta mesma oração, ou pratica Yoga e logo depois também abandona esta prática. Assim que sua prática acaba, você entra de volta neste mundo não meditativo, inconsciente, como se caminhasse em um sono hipnótico. Um esforço de uma não vai ter grandes efeitos nas outras 23 horas do dia adormecidas.

A consciência é como um rio, ela flui constantemente e estar consciente por uma hora e ficar 23 horas desconectado de sua consciência não parece ser o caminho para um florescimento de consciência.

Muitas pessoas almejam alcançar um estado de completude. A verdadeira satisfação está registrada nas células e líquidos do corpo. Você se sente satisfeito, realizado, quando você se sente completamente vivo, quando o momento presente está fluindo harmoniosamente em abundancia.

Estamos tão ocupados com lugares para ir, gente para ver, coisas para fazer, com tantos medos, com tantas expectativas, com tantas obrigações que não conseguimos estar plenos.

Quando a morte se aproxima normalmente surge um alerta: “O que eu estive fazendo? O que fiz com minha vida? E as vezes você percebe que perdeu muitas oportunidades. Que na verdade você não parou para refletir sobre o que estava fazendo. Entrar no modo fazer, e tentar apenas fazer ou conquistar tudo, pode nos distrair e não percebemos que estamos perdendo energia, que podemos estar desperdiçando esta vida. Que ela escorreu pelo ralo. Você só tem uma vida e se você não tiver consciência sobre o que esta fazendo, você vai chamar qualquer coisa de destino. Meditar é abrir espaço para o florescimento da consciência. Não sabermos quando a consciência vai brotar em sua plenitude, podemos diariamente cultivar e nos dedicarmos a estas práticas de mindfulness que nos ajudam a despertar de algumas grandes ilusões que estamos presos e não percebemos.

A vida não existe apenas para ser transcorrida, ela nos da a possibilidade de alcançarmos algo mais profundo. Da mesma forma que quando sonhamos um sonho muito real, só percebemos que era uma ilusão quando acordamos pela manhã, assim também é a nossa vida. Só conseguimos perceber as ilusões da vida, no momento em que despertamos a consciencia e a meditação é um caminho para este despertar.

Meditação é presença. Meditação e quando a mente tagarela se aquieta e o ser que é a vida que nos habita se manifesta. Meditação é o momento em que o ser que te habita se manifesta. A mente compulsiva é a fonte do estresse e consequentemente de muitas doenças e de muitas dificuldades que a gente enfrenta na vida.

A meditação é um poder que podemos comparar com um veículo. Que pode estar sendo conduzido por impulsos inconscientes e destrutivos como vinganças, medo, inveja, ciúmes, etc, como pode estar sendo conduzido por uma parte construtiva, amorosa, que confia e assim por diante. Podemos ter um veículo descontrolado e desgovernado e podemos ter um veículo controlado, indo em uma certa direção ou parado.

O primeiro passo é ocupar o veículo. É você está ali presente. Isso se assemelha a você entrar numa autoescola, você precisa sentar no carro, pegar o volante com suas mãos, esta a fase zero do processo. É iniciar o cultivo do silêncio. É o principio. Apenas um instante em silêncio com apenas um minuto já estamos prontos para começar a se desligar do mundo lá de fora e nos conectarmos com o mundo de dentro de nós mesmos. Desligar o celular, desligar o computador, esquecer tudo, alinhar o corpo e fechar os olhos. Porque os olhos são as janelas da mente e eles te conectam com o mundo lá fora. Com os olhos fechados, você vai colocar a atenção no fluxo da respiração com a coluna alinhada. A postura é importante… é uma postura ereta, mas sem rigidez. É uma postura confortável poderem estável. Que você possa permanecer pelo tempo sugerido sem se mexer ou mexendo o mínimo possível. A coluna deve permanecer ereta, pois existe um fluxo de energia muito grande passando pela coluna… em nossa coluna temos o sistema nervoso, central, que está conectado com o sistema endócrino, com todos os órgãos do corpo, é um fluxo de energia muito grande que precisa estar livre. Desta forma, você apenas respira pelas narinas de forma profunda e suave pelas narinas.

A grande maioria da humanidade, mais de 90%, vive sobre a tirania do fluxo temporal da mente. Neste tempo psicológico onde você é jogado no passado ou no futuro, do passado para o futuro, do futuro para o passado e o presente fica completamente perdido. Que é onde está a possibilidade de você transcender o sofrimento, transcender o medo, o ódio, é onde você pode transcender todas as emoções negativas que te faz refém. A mente serena é a fonte da tranquilidade. Tudo aquilo que é belo e verdadeiro nasce do silêncio.

Tem uma definição de Sri Prem Baba, que eu particularmente gosto muito:

“A meditação envolve diversos estágios ou estados de consciência. Às vezes, você tem acesso a lugares de dor onde entra em contato com sentimentos difíceis, como medo, raiva e insegurança. São infernos internos que precisam ser atravessados, pois ali tem algum aprendizado para você. Às vezes, você entra em uma zona neutra, na qual não sente raiva nem medo, mas também não sente amor – você não sente nada. E, às vezes, você vai para o céu e experimenta um amor infinito; uma alegria sem causa; paz e unidade. Você expande e contrai até que, em algum momento, aprende a sustentar o coração aberto e a comunhão com o Divino.”

O que são os pensamentos

Inicialmente é importante compreender que meditação não tem haver diretamente com parar os pensamentos ou ter a mente vazia e tranquila. A ideia não é fugir para o topo de uma montanha nos Himalaias ou criar uma bolha de silêncio para viver sem pensamentos ou sentimentos.

Não devemos travar uma luta com os pensamentos e tentar para-los no momento em que aflorem a mente. O caminho não é ficar em alerta esperando que um próximo pensamento surja para você tentar extingui-lo. Este esforço pesado e leva ao caminho contrário da meditação.

Vamos ver um exemplo que ilustra bem isto.

A estrada

Imagine que você está sentado ao lado de uma estrada com uma venda nos olhos. Talvez você possa ouvir o barulho dos carros passando, mas não possa vê-los porque existe uma venda em seus olhos.

Antes de começar a meditar as coisas são mais ou menos assim. Todos os pensamentos da mente, esteja você sentado ou deitado para relaxar, continuam fazendo barulho de fundo o tempo todo.

Imagine agora que ainda na beira da estrava tira a venda. Pela primeira vez você pode observar a estrada, que representa sua mente. As vezes você pode se sentir atraído pelo barulho dos carros, pela cor, modelo tamanho, ou movimento dos mesmos. Ao se deparar com algo novo, muitas coisas podem chamar sua atenção.

Quando as pessoas começam a meditar, muitas vezes percebem a grande quantidade de pensamento e agitação e chegam a culpar a meditação por isso, como se a meditação piorou ou aumentou a quantidade de pensamentos e barulhos internos.

A meditação não pode te fazer pensar mais. Ela simplesmente coloca mais luz na sua mente e possibilita você ver mais claramente tudo que se passa na mente.

Este é um sentimento bastante comum. É como eixar entrar luz em algum lugar escuro e falar que a bagunça foi causada pela luz que entrou. Da mesma forma que a luz apenas iluminou a bagunça que estava ali, a meditação ajuda a iluminar o que acontece na sua mente.

A principio é assim que a mente reage quando começamos a meditar e tomar consciência do que se passa na nossa mente constantemente. Muitas pessoas tentam se distrair com outra coisa ou parar o pensamento a força, mas estas técnicas não resolvem o problema. Entrar na estrada e tentar organizar o transito ou parar os carros, pode ser bastante perigoso.

Uma boa ideia é permanecer sentado na beira da estrada apenas permanecendo onde estais. Apenas observando. Taz seja hora de pico e tenha muito movimento, talvez seja de madrugada e tenha menos movimento. O mais importante é acostumar a ficar na beira da estrava vendo os carros passarem.

Apensa se tornando um observador, podes se afastar dos pensamentos / carros, e apenas contemplar o transito passar. Pode ser que em algum momento você sem querer se veja correndo atrás de um carro bonito. É exatamente isso que acontece quando experimentas um pensamento agradável. Você se sente atraído por ele e acaba perseguindo ele. No momento em que percebe que você está correndo atrás do carro, tens a oportunidade de voltar a sentar na beira da estrada e apenas observar.

Também pode acontecer de ser atraído por um carro velho e entrar na estrada para retirar ele. Este pode ser um pensamento desagradável. E mais uma vez tens a oportunidade de voltar a sentar-se na beira da estrada.

Com o passar do tempo e treinamento, será mais fácil ficar na beira da estrada, sem se envolver com os carros que passam. Este é o processo da meditação.

É importante destacar que não há nada de errado com os pensamentos. Os pensamentos fazem parte de uma incrível capacidade humana. Se desejas pensar sobre algo, podes refletir sobre isso, podes recordar ou planejar sobre isso e está tudo certo é perfeito quando nós escolhemos deliberadamente pensar sobre algo que desejamos. Quando falamos dos carros, estamos nos referindo de pensamentos autônomos que simplesmente aprecem na sua mente sem que tenha sido você a focar nisso. Eles aparecem num momento e começam a se auto alimentar gerando mais e mais pensamentos normalmente inúteis.

Existe a possibilidade de termos insights ou pensamentos criativos, sem estarmos intencionados a isto. No entanto estes pensamentos nascem no momento em que temos um espaço livre na mente. Se estamos tão ocupados com os pensamentos inúteis e autônomos, não haverá espaço para pensamentos criativos ou novas ideias. Por isso ao treinar a mente e apenas observar os pensamentos sem se identificar com eles, é uma forma de permitir que pensamentos criativos surjam em nossa mente. Grandes ideias muitas vezes surgem quando deixamos o problema de lado e estamos relaxados ou fazendo outras coisas desassociadas do problema que queremos resolver e normalmente não conseguimos resolver batendo a cabeça na parede.

Estamos com a mente tão ocupada que perdemos a chave do carro em cima da mesa da sala e não conseguimos ver ela mesmo quando a mesma está bem na nossa frente. É preciso relaxar e perceber que as chaves estavam ali, bem na nossa frente o tempo todo. Assim são pessoas que procuram óculos pendurados na cabeça ou na blusa, ou até mesmo com ele no rosto. Simplesmente ela está cheia de mais para observar e perceber a realidade.

Um outro exemplo seria:

O céu azul

Imagine um lindo céu azul completamente limpo… apenas azul… é algo agradável, claro e radiante… Nossa mente é assim… Em sua natureza a mente é limpa e calma igual a este céu azul.

Sem se importar se é assim que você se sente agora, pois talvez sua mente esteja ceias de pensamentos e muito confusa, apenas por um momento tente lembrar de algum momento em que você esteve relaxado e feliz. Algum momento em que você não estava tão preocupado com problemas do passado ou medo do futuro, algum momento em que você apenas estava lá tranquilo. Como você se sente?

Agora imagina que você está diante de um céu que não tem nada de azul, apenas um dia muito nublado com muitas nuvens grandes e escuras. Como você se sente? Não muito bem certo?

Imagine agora que estas nuvens escuras são pensamentos na sua mente. As vezes podem até ser nuvens brancas e fofinhas, mas as vezes são pesadas e escuras. Clara ou escura, são apenas sentimentos que você sente no momento.

Lembre-se que apenas de ter nuvens muito escuras, por trás delas ainda existe o céu azul. O céu permanece lá o tempo todo ela está além dos pensamentos.

Não estamos mais vivendo no mundo, estamos vivendo em nossa cabeça

Ao praticar o silêncio, você consegue por os pensamentos de lado e desta forma você consegue abrir a porta para seu interior, consegue mover-se para dentro de si e encontrar sua própria inspiração.

Quando não estamos apenas pensando, e sim perdidos no pensamento, nós ultrapassamos o ponto de virada: não estamos mais vivendo no mundo, estamos vivendo em nossa cabeça. A mente quer entender, quer uma resposta racional para tudo, porém algumas respostas não podem ser obtidas pela mente. Podemos estudar as teorias do amor, mas só sabemos o que é o amor quando sentimos o amor. O conhecimento é o mapa. A experiência é o território real.

Quando estamos dispersos, estamos em outro lugar que pode ser bem longe da realidade presente a nossa volta. Pensar por si só não é um problema, pensar torna-se problema quando estamos perdidos no pensamento e entramos num mundo que nos desconecta da realidade da vida. O que fazer então?

Não é possível parar de pensar apenas desejando parar de pensar ou dizendo para mente parar de pensar. Na verdade, nosso objetivo nem é parar de pensar. Estamos sugerindo que você aprenda a se conectar e viver a realidade e aprender com ela. Ou seja, é preciso experenciar para trazer um verdadeiro aprendizado para você. Ao invés de pensar sobre algo, podemos nos sintonizar diretamente com algo. Ter a experiência direta ou invés de divagar sobre a experiência. Quando uma pessoa fala para você que tem um filme muito bom no cinema, o mais engraçado é que mesmo sem você ter visto o filme é capaz de dizer a outra pessoa que tem um filme muito bom no cinema, mesmo se você ter visto o filme. Ainda tem mais, depois que você ver o filme, você nem gosta tanto dele assim. O que acontece aqui é bem claro. O que pode ser bom para um, não necessariamente é bom para outro. E você já estava falando do filme, sem nem ter vivido a experiência de assistir ao mesmo.

Através dos pensamentos conhecemos indiretamente algo sobre uma experiência. Enquanto no modo de atenção pela podemos descobrir outro tipo de conhecimento. A Experiência direta proporciona que possamos entrar em contato com os sentimentos em relação ao que está acontecendo e está conscientização se torna o próprio conhecimento.

Podemos planejar uma viagem, pegar dica com alguns amigos e até ver fotos de uma determinada cidade ou ponto turístico, trilha, etc. Fazer a viagem e estar presente nestes locais são experiências muito mais ricas e verdadeiras, são reais. Não é porque lemos ou sabemos de algo que verdadeiramente significa que aquilo é verdade para cada um de nós. Muitos vivem como um papagaio repetindo palavras, sem nunca ter vivido nada relacionado a ela. A sugestão de viver a experiência direta é que você possa falar a partir da sua experiência e não através dos seus pensamentos.

Um remédio para muitas questões

Ao praticar o silêncio, você consegue por os pensamentos de lado e desta forma você consegue abrir a porta para seu interior, consegue mover-se para dentro de si e encontrar sua própria inspiração.

 

Apenas concentre-se em praticar a mindfulness. Esqueça por um momento seus problemas e concentre-se em ficar um momento em silêncio. Quando mais fundo você for, mas a verdade surgira e o que não é verdade, cairá.

Se você conseguir escutar estas palavras, tudo pode ganhar um novo sentido. A Maioria de nós pode ouvir, mas poucos consegue escutar de verdade. Ouvir é um fenômeno físico que pode ser compensado inclusive por equipamentos eletrônicos quando você esta perdendo um pouco desta capacidade. Ouvir é relativamente simples e quem tem ouvidos tem a capacidade de ouvir, mas escutar é completamente diferente. Você pode ouvir uma pessoa falando, mas será que você está realmente escutando ela?

Escutar significa que quando você está ouvindo você está apenas ouvindo e nada mais. Não há outros pensamentos ou julgamentos em sua mente. O que quer que esteja sendo ouvido pode alcançar diretamente sua mente. Não sofre interferência por sua interpretação ou preconceitos. Não é distorcido pelo que acontece dentro de você enquanto alguém fala algo. Perceba que é diferente ouvir a mesma coisa quando você está com muita raiva de que quando você está calmo. Dependendo de seu estado interior, você está ouvindo tudo de forma distorcida ao invés de estar apenas escutando diretamente o que está acontecendo.

Perceba que normalmente enquanto ouve algo, sua cabeça está preenchida por outros pensamentos. Não são apenas pensamentos, mas um estilo mental. Sempre estamos tentando buscar uma resposta a situação. Muitas vezes antes de alguém terminar uma frase, na sua mente, você já tem uma resposta para dar a pessoa, mesmo que ela ainda não tenha se expressado totalmente. Focamos nossa atenção em termos a resposta ao invés de escutar e realmente viver a experiência.

Semelhantemente você pode aprender algo sem expectativa, apenas focado na experiência, sem projetar na experiência qualquer esperança ou receio. Assim você amplia sua capacidade de aprender e depois pode escolher como deseja usar esta capacidade que adquiriu. Você pode usar uma bicicleta para ir ao trabalho, para passear com os amigos ou até tornar-se um atleta. Mas a capacidade básica de se manter na sela é igual para todos. Então mesmo que alguém nos ensine a andar de bicicleta, nós decidimos o que andar de bicicleta significa para nós, como usar e o que serve melhor para nosso estilo de vida.

A ciência já comprovou que o que fazemos com a mente, interfere diretamente em nosso corpo. Atualmente muitos neurocientistas se dedicam ao estudo da conexão mente e corpo, para conhecer suas correlação e efeitos mais profundos. Já sabemos que a prática de mindfulness, mesmo em quem nunca teve experiências anterior com meditação, provoca mudanças biológicas em todo nosso corpo físico. Um programa de 8 semanas também pode provocar mudanças bastante significativa nos padrões de ativação e na estrutura física do cérebro.

É muito importante ressaltar que da mesma forma que você não pode matar sua fome apenas lendo uma receita ou um cardápio em um restaurante, semelhante a isto, você não poder ter qualquer dos benefícios sem praticar. Para matar a fome é preciso comer, para experenciar os benefícios é preciso praticar. Da mesma forma que uma atividade física pode fortalecer nosso corpo e trazer mudanças físicas para o mesmo, a prática de mindfulness pode mudar seus hábitos, pensamentos, seu cérebro e até mesmo os cromossomo e as células em seu corpo.